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    Plan détaillé Texte intégral I - Uma presença insuficiente O tempo suspenso Da desigualdade entre os escritores Bibliographie Notes de bas de page Auteur

    Images réciproques du Brésil et de la France

    Ce livre est recensé par

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    A imagem do Brasil nos manuais de francês destinados aos colégios de 2° grau

    Jean-Marc Civardi

    p. 461-470

    Texte intégral I - Uma presença insuficiente O tempo suspenso Da desigualdade entre os escritores Bibliographie LISTE DES MANUELS CONSULTÉS. LISTA DOS MANUAIS CONSULTADOS MANUELS CHRONOLOGIQUES MANUELS THÉMATIQUES Notes de bas de page Auteur

    Texte intégral

    1«Nosso mundo acaba de encontrar um outro», escreveu Montaigne. Lendo os manuais escolares de francês para os liceus, de 1970 para cá, parece que ainda não tínhamos explorado esse novo mundo. «O que é o Brasil?» ou «O que é a literatura?» poderia perguntar um Cândido moderno. Com efeito, examinamos umas sessenta obras destinadas ao 2° grau (clássico ou técnico), e só encontramos três textos de autores brasileiros e cerca de vinte menções relativas ao Brasil, a maior parte se referindo a Montaigne e Lévi-Strauss, como se o Brasil se limitasse à Amazônia! Esta visão lacunar e restrita de tal país é ainda mais deplorável visto que o estudo de autores estrangeiros não é absolutamente proibido no âmbito do ensino de francês, já que as instruções oficiais explicitam: «Além dos autores franceses, o programa menciona textos de autores estrangeiros de expressão francesa, de autores antigos e de autores estrangeiros traduzidos. Verificar-se-á a qualidade da tradução francesa. O professor leva os alunos a estas áreas em função do projeto e do tempo de que dispõe. » Não se trata, porém, de acusar os autores de manuais ou os professores já que, a partir da 1a série do 2° grau, o ensino é basicamente orientado para a prova de francês, escrita ou oral, do «baccalauréat», portanto de um melhor conhecimento da história literária francesa. No entanto talvez seja permitida uma esperança para as letras brasileiras e portuguesas (mais mal representadas!) pois, já há alguns anos assiste-se a um regresso de manuais cronológicos que praticam a intertextualidade e estabelecem relações entre autores e obras francesas e estrangeiras. Só podemos desejar uma maior abertura de espírito. Por isso, depois de fazer um balanço relativamente negativo da presença do Brasil nos livros de francês, seja através dos autores mencionados ou da imagem deste país, compararemos o lugar e a importância desta literatura em relação a outras literaturas estrangeiras, mais ou melhor representadas.

    I - Uma presença insuficiente

    2A literatura brasileira começa no século XX, mais exatamente em 1937, com um fragmento de Capitães de Areia1 de Jorge Amado. Este texto ilustra uma certa imagem da infância e está relacionado com um trecho de La Guerre des boutons (A guerra dos botões) de Louis Pergaud e com outro de Sa Majesté des mouches (A rainha das Moscas) de William Golding. No mesmo volume recente da editora Magnard, encontra-se um texto de Augusto Boal, «Les enfants du public», fragmento do Teatro do Oprimido2 (Jogos para atores e não-atores, 1979), ao lado de fragmento de La Leçon (A lição) de Ionesco e de Les Origines Humaines (As origens Humanas) de J.P. Brisset, o conjunto convidando a uma reflexão tanto sobre o teatro como sobre o aspecto ridículo do ensino. Pareceria então que a literatura brasileira é uma literatura da infância, ou pelo menos na infância... Enfim, um manual menos conhecido propõe como complemento a Tristes Trópicos um artigo de Josué de Castro sobre o subdesenvolvimento3, publicado num número do Correio da Unesco, que menciona somente as funções oficiais do autor sem indicar sua nacionalidade.

    3Aliás, encontramos esses três autores nos grandes quadros sinópticos e cronológicos do volume Século XX da editora Magnard já que, na coluna «Produção escrita estrangeira», só são citados La Terre aux Fruits d’Or (São Jorge dos Ilhéus), Capitaines des Sables (Capitães de Areia) e Terre Violente (Terras do Sem Fim) de J. Amado, Géopolitique de la Faim (Geopolítica da fome) de J. de Castro e Jeux pour acteurs et non-acteurs (Jogos para atores e não atores)... de Augusto Boal. Neste caso também, não há referência à nacionalidade de nenhum autor estrangeiro. Eis uma literatura que se pode estudar rapidamente! Quando ao Índice dos autores, válido para os tomos desta coleção, só menciona J. Amado4 e cita outras obras: Cacao, Suor, Bahia de todos os Santos, Seara vermelha, Os subterrâneos da liberdade, Gabriela e Dona Flor e seus dois maridos

    4Vocês ficariam surpreendidos ao saber que o Brasil não possui nenhum artista, escultor ou pintor. Na verdade, a maior parte dos manuais, principalmente os mais recentes, são relativamente bem ilustrados; porém, se observamos obras de artistas europeus, norte-americanos, sul-americanos, asiáticos, nenhuma obra brasileira aparece. No campo de arquitetura, quando se trata do barroco, vêem-se realizações italianas alemãs, espanholas, mas nem o Brasil nem Portugal são mencionados. É verdade que encontramos freqüentemente esta lacuna também nas obras dedicadas à História da Arte. Não atiremos pedras, se nos permitem a expressão. O volume Século XX das edições Magnard alude simplesmente, em 1936, a Le Corbusier «solicitado por Niemeyer para o projeto de Brasília»5.

    5Quanto ao cinema, área em que as aulas de francês permitem facilmente se iniciar, esta também presente, num certo número de manuais, seja através da produção francesa ou internacional, mas o cinema brasileiro se reduz a Antônio das Mortes de Glauber Rocha (sem indicação de nacionalidade)6!

    6Os dados colhidos são bem poucos!

    7Mas se interrogarmos o homem comum ou até professores e documentalistas, será que os resultados obtidos se mostrarão melhores? O leque das obras literárias e artísticas seria mais amplo e mais completo? Podemos duvidar. Isto não nos impede de esperar que as obras pedagógicas sejam menos esquemáticas. Em todo caso, quando por sua vez textos de autores franceses evocam o Brasil, descobrimos uma outra imagem, também restritiva: a Amazônia (ou a vida selvagem em geral) à qual o espaço e a história brasileiras parecem se limitar.

    O tempo suspenso

    8De Montaigne a Lévi-Strauss, os únicos habitantes do Brasil são os índios. Com efeito cinco manuais7 propõem o famoso texto de Montaigne sobre Os canibais (Os Ensaios I, 31), lembrando que este autor tinha tido a oportunidade de encontrar «indígenas do Brasil» em Rouen, em outubro de 1562. Por outro lado, um texto do mesmo escritor aparece freqüentemente: trata-se do um excerto do capítulo 6 do Livro III (intitulado: «Des Coches») encontrado também em cinco manuais8 e cuja última parte começa pela famosa formula: «O nosso mundo acaba de encontrar um outro». Montaigne, aqui, não trata somente do Brasil mas do Novo Mundo em geral, já que se inspira na História Geral das Índias de Lopez de Gamara. É certo que estes textos são importantes para inculcar nos alunos a noção de relatividade das culturas e para assinalar que Montaigne funda o mito do bom selvagem. Mas no que nos diz respeito, o problema é que nessas obras o Brasil só reaparece no século XX, e dá a impressão que nada mudou, já que continua-se falando de índios. O Brasil parece assim fora do espaço-tempo e a sua diversidade é completamente ignorada. Obviamente, os fragmentos de Tristes Trópicos de C. Lévi-Strauss são os mais numerosos: sobre os Bororos9, sobre os Nambikwara10 (mas sem nenhum detalhe geográfico), sobre vários povos11. Além de Mato Grosso, a Amazônia é também apresentada no texto de J. Meunier sobre «O mito do mau selvagem»12, do livro Massacres na Amazônia, e no texto tirado de Amazônia, terra inacabada d’Yves Manciet13. Estas escolhas procedem sem dúvida de bons sentimentos, pedagógicos ou outros, mas só contribuem para manter uma imagem por demais restrita do Brasil e de seus territórios selvagens. O Brasil é dezasseis vezes maior do que a França; no entanto, para os alunos, sua importância e sua diversidade cultural podem ser consideradas como inversamente proporcionais à sua superfície!

    9O mesmo fenômeno se encontra, exatamente, nas ilustrações. Na verdade, as únicas gravuras ou fotografias relativas ao Brasil mostram apenas diversos aspectos da vida radia: «o rosto pintado» de uma mulher caduveo14, fotografias de rádios15, em particular Bororó16, Waura «ornamentando um gigantesco vaso de barro»17, uma taba indígena18, a «colheita da água destilada»19 (gravura de Théodore de Bry, do Século XVII). Obviamente, essas ilustrações acompanham textos de Montaigne e de Lévi-Strauss. Aí também, se é bom que alunos descubram a existência de costumes bastante diferentes dos nossos, é pena não fazê-los descobrir outras paisagens brasileiras, rurais ou urbanas, tradicionais ou modernas. É verdade que o pequeno número de autores brasileiros encontrados nos textos não facilita o trabalho. Seria desejável que os manuais de história e geografia fossem mais completos e não se restringissem a este «triste tópico» em que se transforma o mundo amazonense.

    10No entanto, se o Brasil ocupa um pequeno espaço nos manuais de francês, se sua imagem é a de espaço imóvel e de um tempo suspenso, outros países, inclusive da América Latina, são muito bem representados por seus escritores ou artistas.

    Da desigualdade entre os escritores

    11Procurando qual era a imagem do Brasil, anotamos, à medida que prosseguia a nossa pesquisa, autores estrangeiros encontrados nos livros. Não fizemos estatísticas nem percentagens porque nem sempre pudemos determinar a nacionalidade ou a língua de certos escritores (o que, aliás, é uma dos manuais, às vezes, de não indicar estes dados). Não podemos portando pretender a uma exaustividade, mas acreditamos que a classificação seguinte é representativa do lugar dedicado às literaturas estrangeiras:

    12* inglês: 273 textos para 144 autores, entre os quais: 171 ingleses para 71 autores,
    102 textos americanos para 73 autores;

    13* alemão: 191 textos para 71 autores, entre os quais: 180 textos alemães para 64 autores,
    11 textos austríacos para 7 autores;

    14* italiano: 106 textos para 50 autores;

    15* antiguidade: 82 textos para 28 autores, entre os quais: 8 textos da Bíblia,
    47 textos gregos para 16 autores,
    27 textos latinos para 11 autores;

    16* espanhol: 82 textos para 34 autores,
    entre os quais: 50 textos espanhóis para 21 autores,
    17 textos argentinos para 5 autores,
    4 textos chilenos para 1 autor,
    3 textos cubanos para 1 autor,
    3 textos colombianos para 1 autor,
    2 textos mexicanos para 2 autores,
    1 texto boliviano para 1 autor,
    1 texto guatemalteco para 1 autor,
    1 texto peruviano para 1 autor;

    17* linguas eslavas: 65 textos para 32 autores, entre os quais: 58 textos russos para 26 autores,
    4 textos poloneses para 4 autores,
    3 textos tchecoslovacos para 2 autores;

    18* japonês: 27 textos para 16 autores;

    19* línguas escandinavas: 11 textos para 7 autores; entre os quais: 8 textos suecos para 4 autores,
    2 textos norueguês para 2 autores,
    1 texto dinamarquês para 1 autor;

    20* húngaro: 5 textos para 2 autores;

    21* grego moderno: 4 textos para 3 autores;

    22* turco: 3 textos para 2 autores;

    23* indiano: 2 textos para 2 autores;

    24* albanês: 1 texto;

    25* português: 1 texto;

    26* romeno: 1 texto;

    27* iídiche: 1 texto.

    28* um caso particular é o da literatura holandesa, representada por 3 autores e 9 textos, mas todos escritos em latim do século XVI ou do século XVIII).

    29Os livros de francês para as aulas de liceu* estão, portanto, abertos às literaturas estrangeiras, com o que só podemos nos alegrar. Para certos países, o panorama é bastante completo, do século XVI até nosso dias. Os alunos aprendem a conhecer não só escritores como também cineastas, economistas, cantores. O Brasil ficaria certamente em boa posição num «hit-parade»: no entanto esta longe de receber os favores dos autores de manuais. É um caso ainda mais flagrante, visto que certas línguas latinas encontram-se muito bem representadas, como o italiano ou o espanhol.

    30Com relação a isso, quando (raramente) alguns livros estudam escritores latinos-americanos, o Brasil fica à sombra dos países de língua espanhola, o que não é surpresa. Por exemplo, numa boa coleção, um volume recente apresenta «literaturas estrangeiras da época contemporânea». Um subcapítulo revela exatamente o que dissemos: «A descoberta de uma outra América: o romance hispano-americano» (incluindo textos de M.A. Asturias, A. Carpentier, G.G. Marquez). Depois do interesse, vem a decepção. Da mesma forma, no fim da obra, em importantes «quadros cronológicos da história e da literatura de 1880-1980», não é feita nenhuma menção ao Brasil20. Será que devemos acusar a falta de espaço material?

    31Aliás, poderíamos até nos perguntar se o Brasil existe, pois voltando atrás na história, e folheando os volumes dedicados ao século XVI, no capítulo das grandes descobertas, lemos os nomes de Vasco da Gama, de Magalhães, até mesmo de Pigafetta, com algumas observações sobre o progresso da navegação, mas poucos detalhes são fornecidos sobre as viagens propriamente ditas. Apenas uma edição recente21 oferece um mapa das «grandes viagens» mencionando «Alvarez Cabral 1500», mas sem indicação explicita do pais descoberto, assim como uma reprodução do «portulano de 1553» mostrando a América do Sul. Aparentemente os professores que preparam hoje essas antologias não sentem a «vertigem atlântica» dos nossos antepassados, e a interdisciplinaridade tão desejada continua sendo rara.

    32Propusemo-nos a fazer uma pesquisa e não um requisitório! Os horários de francês no liceu variam de duas a cinco horas por semana e as instruções oficiais indicam: «Entre os textos literários, é natural dar a prioridade aos textos de autores franceses. Esta opção não procede de um sentimento «chauvinista» desejoso de exaltar a supremacia de nossa literatura». No entanto, segundo os resultados que acabamos de analisar, não é de espantar a falta de conhecimento e as idéias preconcebidas dos alunos. Portanto, através dos livros escolares, seria preciso informar melhor os professores. Por exemplo, entre os não-especialistas, não é raro encontrar professores que pensam que se fala espanhol no Brasil ou então ver nas bibliotecas escolares obras de autores brasileiros classificados com os autores espanhóis, aliás de boa fé. Desde o início dos anos oitenta, os manuais se abrem mais às culturas e às letras estrangeiras; a lição de Montaigne, que afirmava: «Parece que não temos outro olhar da verdade e da razão que o exemplo e a idéia das opiniões e dos costumes do país em que estamos», parece enfim ter sido ouvida. No entanto, é pena que na nossa época, o Oceano Atlântico continue sendo um tal obstáculo. Esperemos que a realização e as atas deste Colóquio incitem os editores a remodelar a imagem simplista e pouco atual do Brasil que este estudo revelou, e aumentar a proporção da literatura brasileira nos textos.

    Bibliographie

    LISTE DES MANUELS CONSULTÉS. LISTA DOS MANUAIS CONSULTADOS

    MANUELS CHRONOLOGIQUES

    * A. Lagarde, L. Michard Les grands auteurs français du programme Bordas, Paris

    – XVIe Siècle (1970)

    – XVIIe Siècle (1970)

    – XVIIIe Siècle (1985)

    – XIXe Siècle (1969)

    – XXe Siècle (1973)

    * A. Chassang, CH. Senninger Recueil de textes littéraires français Hachette, Paris

    – XVIe Siècle (1973)

    – XVIIe Siècle (1973)

    – XVIIIe Siècle (1972)

    – XIXe Siècle (1972)

    * P.G. Castex, P. Surer et G. Becker Manuel des études littéraires françaises Hachette, Paris

    – XVIe Siècle (1971)

    – XVIIe Siècle (1971)

    – XVIIIe Siècle (1971)

    – XIXe Siècle (1971)

    * CH. Biet, J-P. Brighelli et J-L. Rispail Textes et Contextes Magnard

    – XVIe Siècle (1982)

    – XVIIe–XVIIIe Siècle (1982)

    – XIXe Siècle (1982)

    – XXe Siècle (1983)

    * Textes français et histoire littéraire F. Nathan, Paris

    – F. Egea, D. Rince XVIe, XVIIe, XVIIIe Siècles (1979)

    – A. Berthelot, F. Egea Moyen-Age, XVIe, XVIIe Siècles (Nouvelle édition augmentée 1984)

    – D. Rince XVIIIe Siècle (N.é.a. 1984)

    – D. Rince, A. Pages et R. Horville XIXe Siècle (N.é.a. 1984)

    – B. Lecherbonnier XXe Siècle (N.é.a 1984)

    * Intertextes – Les Mouvements F. NATHAN

    – F. Claudon, Y. Bellenger, R. Smadja et P. Goudey Littératures étrangères de l’époque classique (1983)

    – F. Claudon, D. Dussine Littératures étrangères de l’époque romantique (1983)

    – F. Claudon, P. Goudey et R. Smadja Littératures étrangères de l’époque contemporaine (1983)

    * Textes et Documents F. Nathan

    – C. Puzin Littérature XVIIe Siècle (1987)

    – D. Rince, B. Lecherbonnier Littérature XIXe Siècle (1986)

    * Perspectives et Confrontations Hachette

    – X. Darcos, J-P. Robert et B. Tartayre Le Moyen-Age et le XVIe Siècle en littérature (1987)

    – X. Darcos, B. Tartayre Le XVIIe Siècle en littérature (1987)

    – X. Darcos, B. Tartayre Le XVIIIe Siècle en littérature (1986)

    – B. Agard, M-F. Boireau et X. Darcos Le XIXe Siècle en littérature (1986)

    * A. Duchesne, T. Leguay Petite Fabrique de littérature Coll. Textes et Contextes-Périphériques Magnard (1984)

    * CH. Biet, J-P. Brighelli et J-L. Rispail Techniques Coll. Littérature Magnard (1987)

    MANUELS THÉMATIQUES

    * D. Armogathe L’Épreuve de français au baccalauréat de technicien Dunod, Paris (1970)

    * A. Rougerie, L. Rougerie Textes choisis Dunod, Paris (1971)

    * P. Perru, C. Launay Thèmes et Réalités Classiques Hachette

    – Le Milieu et les homes (Seconde) (1971)

    – L’Univers de l’écrivain (Première) (1973)

    * E. Folinais Vers l’avenir Classiques Hachette (1974)

    * Littérature et Langages (Les genres et les thèmes) F. Nathan

    – R. Laufer, B. Lecherbonnier Le conte; la poésie (1974)

    – G. Idt, R. Laufer et F. Montcoffe Le roman; le récit non romanesque; le cinéma (1975)

    – R. Laufer, B. Lecherbonnier Le langage; le théãtre; la parole et l’image (1976)

    – D. Bos, R. Horville et B. Lecherbonnier La littérature et les idées (1976)

    * R. Fehr Textes, images, activités Hatier, Paris

    – Le Français en classe de seconde (1975)

    – Le Français en classe de premier (1976)

    * P. Brunei, D. Couty, L. Acher et J. Maurice Approches littéraires Bordas, Paris

    – I. Les thèmes (1976)

    – IL Les Genres (1977)

    * Est-ce ainsi que les hommes vivent? Bordas, Paris

    – J. Thoraval, R. Rousseau T.1 Les Problèmes du monde actuel (1978)

    – J. Thoraval, J-C. Coiffet, R. Rousseau et Y. Rousseau T.2 Textes recueillis et commentés (1975)

    * B. Barthelemy Littérature (Société et Civilisation) Edité par l’auteur, Lyon (1978)

    * L’Esprit et la lettre (Thèmes, textes et travaux) F. Nathan, Paris (1981)

    – B. Lecherbonnier, D. Rince T.1 Connais-toi toi-même; la Nature

    – E. Gissler, B. Lecherbonnier et H. Mitterand T.2. Vivre avec les autres; regards sur la société

    * G. Belloc, C. Debon et G. Negre Le Monde moderne au baccalauréat Delagrave, Paris (1985)

    * Méthodes et pratiques Éditions modernes média, Paris

    – A.-M. Marina-Mediavilla, A. Millat, C. Piau et C. Gottesman Classes de seconde T.1 (1986)

    – A-M. Marina-Mediavilla Classes de seconde T.2 (1985)

    – A-M. Marina-Mediavilla Classes de première T.1 (1986)

    – A-M. Marina-Mediavilla Classes de première T.2 (1985)

    – A-M. Marina-Mediavilla Textes de civilisation (1985)

    – A-M. Marina-Mediavilla Représentations du monde (1985)

    * CH. Biet, J-P. Brighelli et J-L. Rispail Guide des auteurs, de la critique, des genres et des mouvements (Index des 4 tomes de la collection Textes et Contextes) Magnard (1984)

    Notes de bas de page

    1 C. Biet, J.-P. Brighelli, J.-L. Rispail XXe siècle p. 123.

    2 C. Biet, J.-P. Brighelli, J.-L. Rispail XXe siècle p. 443.

    3 B. Barthélémy Littérature p. 339-341.

    4 Ch. Biet, J.-P. Brighelli, J.-L. Rispail Guide des auteurs... p. 264.

    5 Ch. Biet, J.-P. Brighelli, J.-L. Rispail XXe Siècle p. 174.

    6 Ch. Biet, J.-P. Brighelli, J.-L. Rispail XXe Siècle p. 690.

    7 A. Lagarde, L. Michard, XXe Siècle p. 231.
    R. Perru, C. Launay Thèmes et Réalités (1re) p. 92.
    B. Barthelémy Littérature p. 31-32.
    J. Thoraval, R. Rousseau Est-ce ainsi... T.1 p. 88-89.
    A.-M. Marina-Mediavilla Textes de civilisation (2nd) p. 105.

    8 A. Chassang, CH. Senninger Recueil de textes littéraires français (XVIe siècle) p. 229.
    J. Thoraval, J-C. Coiffet, R. Rousseau, Y. Rousseau Est-ce ainsi... T.2 p. 11.
    A. Berthelot, F. Degea Textes français et histoire littéraire (Moyen-Age, XVIe siècle) p. 97.
    Ch. Biet, J-P. Rispail XVIe–XVIIe siècle p. 72.
    A-M. Marina-Mediavilla Textes de civilisation p. 107-108.

    9 CH. Biet, J-P. Brighelli, J-L Rispail XXe Siècle p. 590.

    10 A-M. Marina-Mediavilla Textes et civilisation p. 96.

    11 R. Perru, C. Launay Thèmes et Réalités (1re) p. 101-102.

    12 J. Thoraval, J-C. Coiffet, R. Rousseau, Y. Rousseau Est-ce ainsi... T.2 p. 79-81.

    13 R. Fehr Textes, images, activités (2nd) p. 17.

    14 B. Lecherbonnier Textes français et histoire littéraire (XXe siècle) p. 324.

    15 R. Perru, C. Launay Thèmes et Réalités (1re) p. 76.

    16 Ch. Biet, J-P. Brighelli, J-L. Rousseau, Y. Rousseau Est-ce ainsi... T.2 p. 12.

    17 J. Thoraval, J-C. Coiffet, R. Rousseau, Y. Rousseau Est-ce ainsi... T.2 p. 12.

    18 R. Perru, C. Launay Thèmes et Réalités (1re) p. 100.

    19 R. Perru, C. Launay Thèmes et Réalités (1re) p. 93.

    20 F. Claudon, P. Goudey, R. Smadja Littératures étrangères de l’époque contemporaine p. 154-158.

    21 CH. Biet, J-P. Brighelli, J-L. Rispail XVIe–XVIIe siècle p. 69.

    Auteur

    • Jean-Marc Civardi

      Professeur certifié de lettres classiques

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    1 C. Biet, J.-P. Brighelli, J.-L. Rispail XXe siècle p. 123.

    2 C. Biet, J.-P. Brighelli, J.-L. Rispail XXe siècle p. 443.

    3 B. Barthélémy Littérature p. 339-341.

    4 Ch. Biet, J.-P. Brighelli, J.-L. Rispail Guide des auteurs... p. 264.

    5 Ch. Biet, J.-P. Brighelli, J.-L. Rispail XXe Siècle p. 174.

    6 Ch. Biet, J.-P. Brighelli, J.-L. Rispail XXe Siècle p. 690.

    7 A. Lagarde, L. Michard, XXe Siècle p. 231.
    R. Perru, C. Launay Thèmes et Réalités (1re) p. 92.
    B. Barthelémy Littérature p. 31-32.
    J. Thoraval, R. Rousseau Est-ce ainsi... T.1 p. 88-89.
    A.-M. Marina-Mediavilla Textes de civilisation (2nd) p. 105.

    8 A. Chassang, CH. Senninger Recueil de textes littéraires français (XVIe siècle) p. 229.
    J. Thoraval, J-C. Coiffet, R. Rousseau, Y. Rousseau Est-ce ainsi... T.2 p. 11.
    A. Berthelot, F. Degea Textes français et histoire littéraire (Moyen-Age, XVIe siècle) p. 97.
    Ch. Biet, J-P. Rispail XVIe–XVIIe siècle p. 72.
    A-M. Marina-Mediavilla Textes de civilisation p. 107-108.

    9 CH. Biet, J-P. Brighelli, J-L Rispail XXe Siècle p. 590.

    10 A-M. Marina-Mediavilla Textes et civilisation p. 96.

    11 R. Perru, C. Launay Thèmes et Réalités (1re) p. 101-102.

    12 J. Thoraval, J-C. Coiffet, R. Rousseau, Y. Rousseau Est-ce ainsi... T.2 p. 79-81.

    13 R. Fehr Textes, images, activités (2nd) p. 17.

    14 B. Lecherbonnier Textes français et histoire littéraire (XXe siècle) p. 324.

    15 R. Perru, C. Launay Thèmes et Réalités (1re) p. 76.

    16 Ch. Biet, J-P. Brighelli, J-L. Rousseau, Y. Rousseau Est-ce ainsi... T.2 p. 12.

    17 J. Thoraval, J-C. Coiffet, R. Rousseau, Y. Rousseau Est-ce ainsi... T.2 p. 12.

    18 R. Perru, C. Launay Thèmes et Réalités (1re) p. 100.

    19 R. Perru, C. Launay Thèmes et Réalités (1re) p. 93.

    20 F. Claudon, P. Goudey, R. Smadja Littératures étrangères de l’époque contemporaine p. 154-158.

    21 CH. Biet, J-P. Brighelli, J-L. Rispail XVIe–XVIIe siècle p. 69.

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    Civardi, J.-M. (1991). A imagem do Brasil nos manuais de francês destinados aos colégios de 2° grau. In S. Parvaux & J. Revel-Mouroz (éds.), Images réciproques du Brésil et de la France. Paris: Éditions de l’IHEAL. https://doi.org/10.4000/books.iheal.5030
    Civardi, Jean-Marc. « A imagem do Brasil nos manuais de francês destinados aos colégios de 2° grau ». In Images réciproques du Brésil et de la France, édité par Solange Parvaux et Jean Revel-Mouroz. Paris: Éditions de l’IHEAL, 1991. doi:10.4000/books.iheal.5030.
    Civardi, Jean-Marc. « A imagem do Brasil nos manuais de francês destinados aos colégios de 2° grau ». Images réciproques du Brésil et de la France, édité par Solange Parvaux et Jean Revel-Mouroz, Éditions de l’IHEAL, 1991, https://doi.org/10.4000/books.iheal.5030.

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    Parvaux, S., & Revel-Mouroz, J. (éds.). (1991). Images réciproques du Brésil et de la France. Paris: Éditions de l’IHEAL. https://doi.org/10.4000/books.iheal.4757
    Parvaux, Solange, et Jean Revel-Mouroz, éd. Images réciproques du Brésil et de la France. Paris: Éditions de l’IHEAL, 1991. doi:10.4000/books.iheal.4757.
    Parvaux, Solange, et Jean Revel-Mouroz, éditeurs. Images réciproques du Brésil et de la France. Éditions de l’IHEAL, 1991, https://doi.org/10.4000/books.iheal.4757.
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