1981
O escritor diante da polêmica
p. 35-44
Texte intégral
1Os escritores não confiam mais 100% em suas inteligências. Tenho impressão de que hoje se ensina, não a literatura, mas comportamentos face à literatura – esse comportamento engendra polêmicas.
2Senhoras,
3Senhores,
4Camaradas,
5Acho que me pedem pra fazer uma conferência pra vocês. Por três razões, digo não. A primeira das minhas razões é que as conferências são “engenhocas” do século XX. E se tivesse que falar em nome da África, eu diria mesmo que a África não está no século XX. Senhoras e senhores, camaradas, é uma vergonha, nossa vergonha comum, mas é preciso dar nome aos bois, porque é aí que começa meu procedimento de criador. Se a polêmica está no século XX, se os foguetes e a informática estão no século XX, o ser humano, ele, não está no mesmo século do que aquilo que tivemos o costume de chamar o “Progresso”. As raças, as tribos, as classes, numa palavra, o coração humano não está no século XX.
6Enquanto a Europa brinca de sábio civilizado montada nas costas da humanidade, o que faz o resto da humanidade? Ela gere a polêmica e disserta em torno das revoluções num momento em que, mais do que nunca, o mundo precisa de uma revolução. Há pouco eu dizia a Europa, vocês devem conhecer a Europa inculpada de nosso confrade Letembet-Ambily8, mas precisemos pra desencargo de consciência que do ponto de vista geo-humano e geo-histórico, a Europa vai de São Francisco à península de Kamtchatka.
7A segunda razão pela qual digo não às conferências é muito simples: vocês são intelectuais, quer dizer, utensílios de cozinha que me dão indigestão. Vocês e eu não estamos por assim dizer no mesmo mundo: vocês dissertam a existência de vocês, eu chamo a minha na chincha, eu, esfrego o coração com ela, esfrego-a sebentamente na da frente. Acredito, eu, numa forma no final das contas sempre mais nova de abordar a vida, uma maneira sempre mais nova de vir ao mundo. Acho que já disse duas vezes pra que servem os intelectuais em nossos países em via de subdesenvolvimento. Não voltarei a isso, porque periga vocês me perguntarem pra que servem os escritores nos países que não tiveram Voltaire, nem Pushkin, nem Einstein, nem Marx. E recairíamos na arte de apontar os canhões da polêmica, colocaríamos em marcha todas nossas baterias e essa pobre sala seria uma zoada só de citações e referências, pra mó de saber quem tem o crânio mais maceta pra caber a cultura. Quem, na velocidade Mao ou Maquiavel, consegue atirar o maior número de palavras por segundo. E veríamos voar por todos os cantos da sala teses, sínteses e doutorados. Mas pode ser que vocês não sejam da laia desses intelectuais de que falo, filhotes adulterinos de uma lógica de mitos, “vindos tarde demais num mundo ao que parece velho demais” (penso cá com meus botões que a melhor maneira de vir ao mundo é vir com sua própria parte ao Mundo).
8Em suma, talvez vocês queiram apenas estar seguros de que apesar de meu jeitão de demônio sou apenas um cara como vocês, feito de carne e de sangue, portador de esperanças, de sonhos, de loucuras, de medo. E sendo assim vamos falar, não de Conferência, mas simplesmente de endereço, de estado civil, se quiserem vou lhes dar meu estado civil e meu endereço nos campos da polêmica: pois o ensino da literatura se tornou antes e acima de tudo uma polêmica. Não garanto que chegando em minha casa, no endereço que lhes darei, vocês não encontrem lenha. Em todo caso, em lugar de uma conferência como desejavam, falaremos de meu exercício de lucidez (essa palavra tem pra mim uma grande importância), porque acredito que a arte é o puro e simples exercício da lucidez. A arte é o contrário do exercício da polêmica. É totalmente o contrário do exercício da cultura. Chamo exercício da cultura a posição que consiste em colocar sua poltrona no sentido de uma cultura de quatro patas, sabichonamente pretensiosa, e se sentar, sem imaginação, pra se meter, com o perdão da palavra, a peidar polêmica. Sem ser contra a inteligência, confesso que nunca compreendi a inteligência dos intelectuais. Mas talvez eu devesse, pra ser lógico, começar pelo começo.
9Vocês acham que a literatura é uma coisa séria? Seja qual for a resposta de vocês ela será apenas um ponto de vista. Eu que tenho más maneiras à mesa quando se trata de devorar a cultura, usaria uma pinça pra pegar o ponto de vista de vocês. Se quisesse fazer uma conferência, começaria, como pede a moda, por uma citação, e aí teria escolhido Camus. Não por razões de família, mas simplesmente porque acho que ele tem razão quando diz: “A vida do ser humano é mais interessante que suas obras... O romance é ele.” Espero em todo caso que vocês não vão aproveitar essa ocasião pra me perguntar as razões profundas pelas quais escrevo ou grito. Tem razão não. Mas não vão acreditar em mim se eu me meter a falar com toda franqueza. Então, pra ganhar tempo, vou lhes dar uma ou duas de passagem. Escrevo porque minhas tripas e o barulho da minha respiração me impelem à escrita. Escrevo porque a página branca me magoa e me dá náusea. Ela me dá dó. Escrevo também, e acho que é a razão fundamental, pra protelar a morte do romance, pra semear a dúvida no espírito daqueles que acreditam em sua inexistência. Aliás, não tenho mérito algum por tal empreitada já que o anúncio da morte do romance data da época dos papiros. E desde então especialistas de talento se ocuparam da saúde desse doente que não quer saber de morrer. Tá certo que falo aqui do romance como seu nome indica. Não acredito na inutilidade do sonho. Júlio Verne e Kafka me ensinaram que o sonho, ou a imaginação se preferirem, encontra sempre seu lugar em alguma realidade; que o imaginário de hoje pode ser a realidade de amanhã. Estou convencido de que o sonho é o primeiro passo quando se trata de acrescentar um pouco de lugar nesse mundo. Só ele mostra o quanto estaríamos enganados pensando que o Mundo já está feito, que temos apenas de nos contentar com a função vergonhosa de consumo. Não, repito: cada geração vem ao mundo com sua própria parte do mundo. Temos o dever de acrescentar mundo ao mundo, por nossa prática da sensibilidade (a inteligência é uma forma de sensibilidade), por nosso exercício da imaginação, pois de fato, vergonha não é sonhar, mas não ter imaginação. Permitam-me citar Artaud: “Ainda não estamos no mundo, as coisas ainda não estão feitas, a razão de viver ainda não foi encontrada...” Já disse que escrevo por estouvamento. Os gerentes da polêmica vão pular no meu pescoço se eu não for logo dizendo que, noves fora zero, é por estouvamento que estamos vivos.
10A marca? Como queiram. Escritor africano, congolês, mukongo9... metam o cartaz. Podem mesmo tascar: “Atenção, sensibilidade africana, proibida aos poloneses”. Mas pra mim, o fato de ser congolês é apenas um pretexto pra que “nada do que é humano me seja alheio”. Porque, senhoras e senhores, camaradas, o culto a sua própria cultura se chama coçar o umbigo, e é tão desumanizante quanto o culto à cultura dos outros. A sede de identidade não pode ser uma ocasião pra mediocridade. O exercício da lucidez, senhoras e senhores, quando me propuseram fazer uma conferência aos universitários do vosso departamento, falei com meus botões: tá aí, eles tão com fome e querem uma merenda. Uma frase que li no muro de um campus me veio à mente: “Procuram-se Atores para Canibais.” Vocês bem veem a ambiguidade. Mas cá pra nós, se têm fome, se realmente têm fome, vocês se enganaram de merenda. Pois não me vejo dançando um disco do tipo: “Era uma vez um tansinho chamado Eu.” Sou artista, logo, portador de uma existência mal sabida. Deixo os trabalhos de charcutaria à crítica e aos polemistas, diria mesmo aos polê-musicistas. Na minha triste qualidade de colocador em signos do mundo, minha única paixão é chamar as coisas por seu nome. Perdoem-me se, aqui, na frente de vocês, por desencargo de consciência, devo pensar o que penso e dizer o que digo. Todavia, de medo que a polêmica venha estragar tudo, previno que minhas proposições não são verdades sagradas (as verdades sagradas me dão calafrio no espinhaço).
11De fato, escrevo (ou grito) pra que faça humano em mim. Minha escrita, já que se trata dela, vem de certo medo que tenho de me enganar. Tem tanta gente nessa terra que pensa que a vida não serve pra nada, outros pensam que uma vida, devemos usá-la pra pisar nos outros, acumular carros, exibir garotas, descer os vinhos, aviltar os outros: pra mim isso é falta de imaginação. Tenho no ser humano uma fé no fim das contas metafísica. Minha confiança e meu amor por ele são metafísicos. Mas falta imaginação ao nosso século. Nosso século não quer mais sonhar: condena o sonho. É um horror. Já disse que é nas asas do sonho que o ser humano vem ao mundo. A menos que ele se contente com o papel vergonhoso do consumidor: consumidor de estética, consumidor de filósofos, consumidor das obsessões dos outros. Só teríamos com a vida relações de todos os pontos de vista sumárias. Sumárias seriam igualmente nossas relações com sua Majestade, a Realidade; a realidade não podendo ser dominada pelo viés da imaginação.
12Mas a arte de escrever é também o exercício de nomear. Nomear é a vivificação das coisas, a encarnação, como diria o poeta Édouard Maunick. Evidentemente, vocês são na maioria estudantes de literatura. Sabem melhor do que eu a que os destina essa função. Em todo caso, cá entre nós, meu dever como criador consiste em desconfiar de vocês. Queria estar enganado: mas o estudante de literatura tem cacoetes de salsicheiro. É preparado com mecanismos um tanto quanto pavlovianos de salivação de modo que, no dia do exame, a temperatura ajudando, ele se põe a secretar odores de intelectual com marca registrada e prêt-à-porter. Ele se vira pra saber quem é escritor polonês e até que ponto; quem é rabelaisiano e em que porcentagem. O estudante de literatura não é aquele que aprende a amar e a respeitar um livro, é, no final das contas, aquele que aprende a morrer e a fechar o maior número possível de livros. Não é aquele a quem se ensina a amar as belas-letras, mas aquele que saberá dissecar cadáveres chamados poemas ou romances, após um diagnóstico de intenção.
13O estudante de literatura não é mais (e é preciso compreendê-lo, mesmo que queira não tem tempo pra isto) aquele que aprende a respeitar a arte de nomear, mas simplesmente, verdade seja dita, o respeitável frequentador de faculdades desde quando as letras passaram a parecer mais divertidas que a trigonometria. De modos que, na faculdade de letras, poderíamos ler o que lemos dos trens nas passagens de nível: “Atenção, um diploma pode esconder outro”.
14Ora, enquanto vocês fazem picadinho de mim, enquanto me aproximam ou afastam de Jarry, enquanto buscam conhecer o teor em sensibilidade africana, congolesa, banto, da minha loucura de nomear, sei, eu, que diante da página em branco, congolesa, claro, minhas hesitações, minhas angústias, minhas obsessões são antes de tudo de humano. Além da mentira de tribo, de raça, além do simulacro e da injustiça, o que escarra na barbárie do humano para com o humano, o que aspira por mais justiça e por mais paz, isso é o ser humano.
15Os gerentes da polêmica vão querer meu couro se deixo passar em branco o problema da língua na qual escrevo. Aí vou citar um mano, que finalmente virou nosso egum, Tchicaya U Tam’si10: “Testemunho um povo”. Eu diria, eu: testemunho um povo que mais ninguém chamou a sua força e a sua dimensão exatas. Escrevo em francês porque foi nessa língua que eu mesmo fui violado. Lembro de minha virgindade. E minhas relações com a língua francesa são relações de força maior, sim, no fim das contas. Lembrando que se entre o francês e eu alguém está em posição de força, não é o francês, sou eu. Nunca recorri ao francês, ele é que recorreu a mim.
16Mas desde que a cultura virou essa engenhoca que serve pra cagar goma, desde que a cultura virou um pretexto pra ficar com a palavra mesmo quando não se tem mais nada a dizer, não somos mais sábios o bastante pra dizer uma palavra que não seja uma palavra polêmica. Mas, pros polemistas, citarei Carlos Fuentes: “O tesouro da América Latina é a língua”. Não acho que a situação seja a mesma pra África, mas polêmicas à parte, no momento, é em francês que posso falar a meus irmãos kuyu, vili, teke11, senegaleses, cujas línguas ignoro. Por agora, pois isso só pode ser por agora, escrevo em francês porque é nessa língua que se fazem os diplomas de literatura e a polêmica literária. Quanto a saber se o testemunho que dou de meu povo pode se fazer na língua de Voltaire, Cortázar e Kafka, pra citar apenas estes, testemunharam seus povos sabemos em que línguas. Além do quê, em que língua lemos Homero, Virgílio, Tolstoi, Faulkner? Portanto. se alguém ainda não conseguir entender por que escrevo em francês, digam-lhe que é por falta de tradutores. É uma alegria penosa. Mas não uso a literatura pra descarregar minha bílis: me sirvo dela pra estar vivo, pra me manter vivo o maior tempo possível, a literatura, não me sirvo dela pra calar o vagal, é minha segunda maneira de respirar. Falei de endereço no começo de minha exposição. Esse endereço que gostaria de dar pra vocês da maneira mais completa possível consiste em lhes mostrar o lado congolês de meu sonho humano. É por isso que, sem querer matar dois coelhos com uma página só, não terminarei minha exposição sem ter tocado o outro lado quente da polêmica que esculhamba tudo, mas simplesmente a conotação. Confundimos frequentemente propaganda e literatura. Lu Xun12 diz a esse respeito: “Se a propaganda precisa da literatura, é porque a literatura não é a propaganda”. A bizonhice mesmo bela de repetir sete vezes a palavra povo num poema não fará dele um poema engajado mas simplesmente pesado, ou medíocre. De modo que no final das contas chegamos a um resultado contrário ao que visávamos. E se me pedissem pra definir a mediocridade, diria simplesmente que é o dom dos resultados maçantes. O engajamento não está nas intenções, está no resultado. Com minha palavra, que quero de honra, testemunho um século. Estou empenhado com a honra. E pra que meu engajamento me sirva de orgulho, não deve ser nem conjuntural nem oportunista. Constato um acidente de civilização. Decerto a arte não torna os homens melhores, mas a arte verdadeira não deixa uma pessoa verdadeiramente indiferente. Não acredito na literatura inocente. Quando digo: temos mais alimentos sobre nossa terra do que nunca, mas tem mais gente morrendo de fome; quando digo: temos mais saber e mais filosofias bem intencionadas, mas tem mais pessoas sendo massacradas ou jogadas na prisão a cada dia; quando invento mulheres que tentam atirar na babaquice as balas de seu sexo, quando cubro de vergonha os guias providenciais e as “mamães da nação”, os canibais e as potências internacionais que provêm os canibais, estou engajado com a espécie humana. Tenho a sorte de não ser oprimido, no plano humano; o opressor é mais desumanizado do que eu a quem ele oprime, e como ser humano, tenho pena dele, vejo se não posso salvá-lo de sua humanidade, se não posso, de alguma maneira, salvar a ambos: porque o ódio não salva. A arte chama os homens a suas obsessões mais ocultas e os desperta pras suas mais indômitas esperanças, todo o resto é polêmica. Faltam à arte as malícias das propagandas, mas acredito que é por causa disso que, pro artista, amanhã é sempre um outro dia. Acho que é também por essa razão que a arte toca mais facilmente e mais profundamente que a propaganda.
17Entre os utensílios de polêmica que são os nossos, tem a questão do pertencimento a tal ou tal outra escola; pra África, a referência continua sendo o infortunado Sr. Senghor, com sua pobre ex-negritude. Pra ser franco sobre isso, quando a Negritude passa na rua, por respeito, observo uma página de silêncio e fico na posição de sentido. E quando os milicianos da polêmica me perguntam o que penso da Negritude, respondo: “A gente não pode mais parar de ser preto.” E queria que lendo qualquer um de meus livros Senghor exclamasse: “Quer dizer que eu tinha me enganado de Negritude”.
18Senhoras e senhores, camaradas, vejo que estão decepcionados. Preferem as belas conferências aos endereços, mesmo corretos. Em todo caso, peço desculpas por ter feito vocês perderem seu tempo, obrigado pela coragem de vocês. Obrigado pelo silêncio. Agradeço também aos dirigentes do departamento de vocês e a todos os professores por tudo que podem fazer pela literatura. Quando tenho que falar, termino sempre com essas palavras: senhoras e senhores, camaradas, ainda estamos no mundo, é um milagre, trabalhemos pra fazer durar esse milagre. Mais uma vez obrigado. Pois como diz o velho ditado: quando temos a alegria de falar, tenhamos piedade daqueles que têm a infelicidade de escutar.
“L’écrivain face à la polémique”, in L’Enseignement des littératures africaines à l’université, série “Colloques de la faculté des lettres et des sciences humaines”, Mukala Kadima-Nzuji & faculdade de letras e ciências humanas da universidade Marien-Ngouabi, Brazzaville, 23-24 de julho de 1981.
Notes de bas de page
8 Antoine Letembet-Ambily (1929-2013): dramaturgo e político congolês.
9 Mukongo (singular de Bakongo): povo do antigo reino do Kongo que se encontra na República Democrática do Congo, no Congo-Brazzaville e em Angola.
10 Tchicaya U Tam’si (1931-1988), poeta, romancista e dramaturgo congolês, é considerado um dos maiores autores africanos do século XX.
11 Os Kuyu, Vili e Teke são povos que vivem no Congo-Brazzaville.
12 Lu Xun (1881-1936): escritor e pensador chinês.
Le texte seul est utilisable sous licence Licence OpenEdition Books. Les autres éléments (illustrations, fichiers annexes importés) sont « Tous droits réservés », sauf mention contraire.
Violence et langage
Une lecture de la « Critique de la violence » de Walter Benjamin
Léa Veinstein
2017
Le printemps des intelligences
La Nouvelle Gauche en Italie - Introduction historique et thématique
Andrea Cavazzini
2017
Subjectivités, pouvoir, image
L'histoire de l'art travaillée par les rapports coloniaux et les différences sexuelles
Anne Creissels et Giovanna Zapperi (dir.)
2017
Nouvelles vulnérabilités, nouvelles formes d’engagement
Critique sociale et intelligence collective
Laurence Blésin et Alain Loute
2017
Pierre Bourdieu Philosophe
Une critique socio-philosophique de la « condition étudiante »
Thomas Bolmain
2017
Idéologies de l'enfance et éducation dans l'œuvre de Fernand Deligny
Anthropologie, pédagogie, politique
Patricia Verdeau et Antoine Janvier (dir.)
2017
