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    Plan

    Plan détaillé Texte intégral I – Romance da rainha Santa Isabel II – O Natal III – Os reis IV – Oraçoes V – Cantigas a São João VI – Parlengas infantis e jogos populares VII – Enigmas populares Notes de bas de page

    Contribuições para Uma Mitologia Popular Portuguesa e Outros Escritos Etnográficos

    Ce livre est recensé par

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    Table des matières

    Contribuições para um romanceiro e cancioneiro popular português1

    p. 517-546

    Texte intégral I – Romance da rainha Santa Isabel II – O Natal III – Os reis IV – Oraçoes 1. Salve rainha 2. Oração ao deitar 3. Padre nosso 4. Oração antes da confissão 5. Oração depois da confissão 6. Oração à mesa da comunhão 7. Orações a Nossa Senhoraa.b.cd. 8. Oração ao deitarb. 9. Padre nosso pequeninoa.b. 10. Oração para afastar a trovoadaa. b. 11. Oração para livrar de cão danado V – Cantigas a São João1 2345678910111213141516171819202122232425262728293031323334353637383940414243444546474849 5051525354555657585960 6162 VI – Parlengas infantis e jogos populares 1a. b. c. 233 4. O tangro-mangro5b. VII – Enigmas populares 1. O ovoa. b. c. 2. A trempe 3. A mesa 4. A romãa. b. 5. O dedal 6. A azeitona 7. A parede 8. A língua 9. A chave 10. A escrita 11. A luza. b. 12. O cigarro 13. O pão 14. A tesoura Notes de bas de page

    Texte intégral

    1O resultado das nossas explorações da tradição popular portuguesa pode ser sistematizado em três grandes capítulos, com a feição provisória de Contribuições, no entretanto, para o trabalho definitivo e completo que sobre a mesma tradição um dia há-de fazer-se. O primeiro2 ocupa-se especialmente do maravilhoso popular, dos restos e vestígios da mitologia do povo que ainda se conservam na tradição oral, das superstições, crenças, prejuízos, etc., que a esse maravilhoso se referem. O segundo3 trata dos contos populares. O terceiro, que começamos com a presente publicação, refere-se aos romances, aos cantos, orações, jogos infantis, etc., aos elementos enfim, que devem constituir o nosso romanceiro e cancioneiro popular. Destes três capítulos o mais novo é evidentemente o primeiro, de que nada até hoje há publicado em Portugal.4 O segundo, apesar da publicação do nosso colega e amigo Adolfo Coelho,5 está longe de se achar esgotado. O terceiro, finalmente, apesar de ter sido o mais explorado entre nós,6 ainda tem algumas novidades que apresentar aos colectores, como de resto pode ver-se por estas páginas.

    2Todas as produções, que abaixo transcrevemos, foram por nós directamente coligidas da tradição oral em diversos pontos do País, e na maioria dos casos de pessoas analfabetas, o que é mais uma garantia da sua genuinidade. Fazem apenas excepção as cantigas a S. João, que têm a rubrica de “Vila Nova de Gaia” e que me foram dadas pela Exma Snra D. Elvira de Macedo Damásio, e duas ou três orações com a rubrica de “Lisboa”, que me foram ditadas por minha mãe. Mas a genuinidade destas é também indubitável, porquanto foi a nosso pedido, e sob a nossa indicação que estas duas senhoras as coligiram directamente da tradição oral. As que levam a rubrica de “Coimbra” foram em parte coligidas por mim e em parte por minha mulher naquela cidade. Assim como mas ditaram, assim as escrevi e as publico, sem lhes alterar nem uma palavra. Mesmo onde uma correcção no verso se tornava fácil e necessária, eu cuidadosamente a evitei, não me julgando para isso autorizado. Do momento em que se trata de produções anónimas e colectivas de um povo, a genuinidade é o primeiro requisito a atender-se, e o erro (sob o nosso ponto de vista erudito) é também um documento que importa não fazer levianamente desaparecer.

    I – Romance da rainha Santa Isabel

    3Peço graça com fervor

    4Do divino Manuel,

    5Para que haja de rezar

    6Da Rainha Santa Isabel:

    7Em Saragoça nascida, 5

    8Segundo a oração diz,

    9Foi rainha mui querida,

    10Mulher d’el-rei Dom Dinis;

    11Aos pobres socorria

    12Com entranhas do coração; 10

    13Pois de ninguém se fiava,

    14Sua esmola apresentava

    15Com a sua própria mão.

    16Vindo a “santa” um dia,

    17Com seu regaço ocupado, 15

    18Pelo tesouro que havia,

    19Com el-rei eis encontrada!

    20“Que levais aí, Senhora?

    21– Levo cravos e mais rosas,

    22Para mais nossa alegria. 20

    23– Bem sei que levais dinheiro,

    24Segundo sois costumada;

    25Antes que muito me cheira,

    26Rosas em Janeiro,

    27É de maravilha achá-las!” 25

    28A Senhora

    29O seu regaço lhe amostrou,

    30Cravos e rosas achou,

    31Um cheiro que admirava.7

    32“Ó rainha excelente! 30

    33Meu tesouro podeis dar,

    34Minha coroa empenhar

    35Porque tudo estou contente (sic).”

    36Estando a “santa” um dia

    37Na sua sala sentada, 35

    38Chegou-lhe um pobre chagado (sic),

    39Se o podia arremediar;

    40Ela lhe disse

    41Com palavras de amor:

    42“Mandarei chamar o doutor, 40

    43Que vos haja de curar.

    44– Senhora, se queredes

    45Ter o vosso coração inflamado,

    46Deitai-me na vossa cama,

    47Que eu serei remediado.” 45

    48A Senhora

    49De pés e mãos o lavou,

    50Na sua cama o deitou.

    51Um cavaleiro, que no paço

    52Havia encontrado, 50

    53A el-rei tudo é contado (sic).

    54Vindo el-rei muito agastado,

    55Com tenção de a matar,

    56Contra a clemência que usava;

    57Na cama onde repoisava 55

    58Deitar um pobre chagado.

    59A senhora correu o cortinado,

    60Achou Jesus crucificado!8

    61Muito chorou o rei com ele

    62Dos milagres, que ela tinha obrado.

    63Em Estremoz acabou 61

    64Em Coimbra está sepultada,

    65No convento que formou

    66De Santa Clara sagrada.

    II – O Natal9

    67As janeiras não se cantam,

    68Nem aos reis, nem aos fidalgos;

    69Cantamos a vós, senhores,

    70Por ser ano melhorado:

    71Lá na noite do Natal, 5

    72Noite de grande alegria,

    73Caminhava São José

    74E mais a Virgem Maria;

    75Caminhavam para Belém,

    76Para lá chegar com dia. 10

    77Quando a Belém chegaram,

    78Já meia-noite seria;

    79São José foi buscar lume,

    80Só ficou a Virgem Maria;

    81Quando São José chegou, 15

    82Já a Virgem tinha parido.

    83Pariu numa pobre porta,

    84Que nem uns paninhos tinha!

    85Deitou as mãos à cabeça,

    86Rasgou um véu que trazia, 20

    87Fê-lo em quatro pedaços,

    88O menino Deus cobria!

    89Desceu um anjo do Céu,

    90Que paninhos lhe trazia.

    91Uns eram bordados d’ouro 25

    92Outros de cambraia fina;

    93Voltou o anjo ao Céu

    94Cantando ave Maria.

    95Lá no Céu lhe perguntaram,

    96Como ficou a Maria: 30

    97A Maria ficou boa

    98Só a noite muito fria.

    99Olhai lá para o alto Céu,

    100Lá vereis uma cruz,

    101Com travesseiro e cama, 35

    102Para o Menino Jesus.

    103O Menino está no berço,

    104Embala-o São José,

    105Os anjos lhe estão cantando

    106Gloria tibi Domine! 40

    107Embala, José!, embala

    108Com a mão nanja10 com o pé;

    109Esse menino que embalas,

    110É Jesus de Nazaré!

    111Vamos ver a barca nova, 45

    112Que se vai deitar ao mar,

    113Nossa Senhora vai dentro,

    114Os anjinhos a remar.

    115Vamos ver a barca nova,

    116Que fizeram os pastores, 50

    117Nossa Senhora vai dentro

    118Os anjos são remadores.

    119Ó meu menino Jesus,

    120Amar-vos é um regalo:

    121Nascestes à meia-noite 55

    122Ao primeiro cantar do galo!

    123(Vila Nova de Gaia)

    III – Os reis11

    124Ó da casa nobre gente!

    125Escutai e ouvireis:

    126Da parte do Oriente

    127São chegados os três Reis!

    128São chegados os três Reis 5

    129Da parte do Oriente,

    130Adorar a Deus menino,

    131Alto Deus omnipotente!

    132Antes das culpas d’Adão,

    133Rezavam as profecias, 10

    134Que havia de vir ao mundo

    135O verdadeiro Messias.

    136Chegando aquele tempo,

    137Que era determinado,

    138Nasceu a mulher, flor 15

    139Daquele jardim sagrado.

    140Naquela noite detoisa (sic)12

    141Que ao mundo deu alegria,

    142Nasceu o verbo divino,

    143Das entranhas de Maria. 20

    144Entrou e saiu por ela,

    145Como o sol pela vidraça;

    146Pariu e ficou donzela

    147Maria, cheia de graça!

    148Logo mandou o Padre Eterno 25

    149Com poder omnipotente,

    150A inspirar nos corações

    151Dos três Reis do Oriente.

    152Eles que já esperavam,

    153Por aquele grande amor, 30

    154Em ver que era nascido

    155O monarca superior,

    156Como humildes vassalos

    157Se deitaram ao caminho.

    158Chegaram à corte de Herodes, 35

    159Perguntaram de repente

    160Aonde era nascido

    161O monarca omnipotente.

    162Tem Herodes no seu peito

    163Uns desejos bem diferentes; 40

    164Desembainhou seu cutelo (sic)13

    165No sangue dos inocentes.

    166Herodes como malvado,

    167Como perverso maligno,

    168Aos santos Reis ensinou 45

    169Às avessas o caminho.

    170Deus que estava do Céu

    171Vendo tão grande desatino,

    172Mandou a estrela da guia,

    173Que lhe ensinasse o caminho. 50

    174Guiados pela estrela

    175Foram ter logo a Belém,

    176Adorar o Deus menino,

    177Que nasceu p’ra nosso bem.

    178A estrela se poisou 55

    179Em cima duma cabana,

    180Aonde todos adoraram

    181A Jesus, neto de Ana.

    182A cabana era pequena,

    183Não cabiam todos três; 60

    184Adoraram o Messias,

    185Cada um por sua vez.

    186Os três reis lhe ofereceram

    187Ouro, mirra e incenso,

    188Não lhe ofereceram mais nada, 65

    189Porque era o Deus imenso.

    190Entrai, pastores, entrai!

    191Por esse portal sagrado

    192Lá vereis estar Deus menino

    193Numas palhinhas deitado; 70

    194Entrai, pastores, entrai!

    195E vinde ver e vereis

    196Em pobres palhas deitado

    197O soberano Rei dos Reis!

    198Tão pobrezinho nasceste 75

    199Meu adorado Jesus!

    200O pago que recebeste,

    201Foi pregado numa cruz!

    202Bem puderas, meu Jesus,

    203Nascer em leito d’ouro fino, 80

    204Mas para dares o exemplo,

    205Nasceste tão pobrezinho!

    206Glória seja dada ao Padre,

    207E a Deus filho também!

    208Glória ao Espírito Santo, 85

    209Para todo sempre. Amen!

    IV – Oraçoes

    1. Salve rainha14

    210Salve rainha!

    211Pequenina!

    212Rosa sem espinhos,

    213Cravo de amor.

    214Mãe do Senhor!

    215Dai-me luz

    216E entendimento,

    217Para adorar

    218O Santíssimo Sacramento!

    219(Coimbra)

    2. Oração ao deitar15

    220Com Deus me deito,

    221Com Deus me levanto;

    222Com a graça de Deus,

    223E do Espírito Santo.

    224Senhor! eu dormir quero, 5

    225Minha alma vos entrego.

    226Se eu dormir, acordai-me;

    227Se eu morrer, embalai-me;

    228Com os três signos da Santíssima Trindade

    229O Padre é Deus; 10

    230O Filho é Deus;

    231O Espírito Santo é Deus;

    232São três deuses,

    233E um só Deus verdadeiro,

    234Filho da Virgem Maria. 15

    235Senhor! Guardai-me esta noite,

    236E amanhã por todo o dia;

    237Que o meu corpo não seja preso,

    238Nem minha alma perdida,

    239Nem meu sangue derramado. 20

    240E Jesus, ave Maria!

    241(Coimbra)

    3. Padre nosso

    242Padre nosso da palma!

    243Jesus fez corpo e alma,

    244Alma independente,

    245Que entrou e saiu;

    246Jesus Cristo viu, 5

    247Ao pé do altar,

    248Três anjos a baptizar;

    249Lá estava a bela pombinha,

    250Que no bico leva o óleo,

    251Nas asas leva a crisma. 10

    252Ó João, crisma a mim,

    253Crisma a ti,

    254Não crismes aqueles maus judeus,

    255Que crucificaram

    256Jesus Cristo Deus, 15

    257Na árvore da bela cruz.

    258Para sempre. Amen Jesus!

    259(Coimbra)

    4. Oração antes da confissão

    260Nesta igreja vou entrando,

    261Água benta vou tomando,

    262Os meus pecados fiquem aqui,

    263Que eu vou dar contas a Nossa Senhora

    264Que há muito que a não vi!

    265(Abrantes)

    5. Oração depois da confissão

    266Senhor do Conforto!

    267Que fostes preso e morto,

    268Perdoai-me meus pecados,

    269Que eles são muitos e largos.

    270Não os dou confessados, 5

    271Nem a padre nem a bispo,

    272Nem a bispo doirado! (sic)

    273Beijarei santa pedra,

    274Que a minh’alma se não perca!

    275Beijarei santa cruz, 10

    276Que a minh’alma tenha luz,

    277Para sempre. Amen Jesus!

    278(Abrantes)

    6. Oração à mesa da comunhão

    279Nesta mesa ajoelhei,

    280Nesta mesa virginal,

    281Venho arreceber

    282Um riquinho manjar;

    283Manjar tão incelente (sic),16 5

    284Dado das mãos do Senhor,

    285Para dar tão realmente

    286A um grande pecador.

    287Os pecados que sabia,

    288Não os disse ao confessor, 10

    289Mas digo-os a vós Senhor!

    290Sabendo o que eles são,

    291Dai-me a penitência

    292Para a minha salvação!

    293(Abrantes)

    7. Orações a Nossa Senhora

    a.

    294Virgem Pura, Virgem Pura,

    295Mãe de toda a criatura,

    296Bem sabemos que pariste!

    297Todo o mundo remiste;

    298Remistes a mim, senhora! 5

    299Sou uma grande pecadora;

    300Estou para me ir deitar,

    301Com tenção de me levantar;

    302Veio um anjo me dizer,

    303Que estava para morrer. 10

    304Eu não estava preparada,

    305Para dar contas a Deus;

    306Lá no cálix consagrado,

    307Lá no cálix se procura; (?)

    308O meu menino Jesus 15

    309Está pregado numa cruz,

    310Com três cravos encravados,

    311Para sempre. Amen Jesus!

    312Quem esta oração disser

    313Um ano continuadamente, 20

    314Terá tantos anos de perdão,

    315Como de areia há no mar,

    316E no campo de flores.

    317Quem esta oração não souber, não a diga; (sic)

    318Quem a ouvir, não a aprenda; (sic)

    319Lá virá o dia de Juízo, 26

    320Que sua alma se arrependa!

    321Já o sacrário está aberto,

    322Já o Senhor lá está dentro,

    323Já os anjinhos o adoram, 30

    324Santíssimo Sacramento!

    325Jesus da bela cruz!

    326Para sempre. Amen Jesus.

    327(Lisboa)

    b.

    328Com Jesus me deito,

    329Com Jesus me levanto,

    330Pela graça do divino Espírito Santo.

    331Nossa Senhora me cubra

    332Com o seu divino manto. 5

    333Se eu bem coberta for,

    334Não terei medo nem pavor,

    335Nem daquilo que mau for.

    336Neste leito em que me eu deito,

    337Acharei quatro anjos, 10

    338Dois aos pés, dois à cabeceira,

    339Nossa Senhora na dianteira.

    340Jesus crucificado,

    341Filho da Virgem Maria,

    342Guardai-me esta noite, 15

    343E amanhã por todo o dia!17

    344(Lisboa)

    c18

    345Nossa Senhora da graça,

    346Fez um milagre no Monte:

    347Pediu-lhe o “menino” água,

    348Logo se abriu uma fonte!

    349A fonte era de prata, 5

    350A água era de cheiro,

    351O menino era santo,

    352Filho de Deus verdadeiro.

    353(Lisboa)

    d.19

    354Nesta cama me deitei,

    355Sete anjos nela achei;

    356Três aos pés, quatro à cabeceira,

    357Nossa Senhora na dianteira.

    358Ela me disse 5

    359Que dormisse;

    360Que não tivesse medo de nenhuma coisa

    361Se eu dormisse, acordava-me;

    362Se eu morresse, acompanhava-me;

    363Com as três pessoas da Santíssima Trindade

    364Em nome de Deus Padre,

    365De Deus Filho,

    366E de Deus Espírito Santo!

    367(Lisboa)

    8. Oração ao deitar

    b.

    368Senhor! deitar me quero.

    369Não sei se amanhecerei;

    370Confesso-me e sacramento (sic)

    371Para viver na vossa lei.

    372Nesta cama me vou deitar,

    373Para a minha alma repousar.

    374Se a morte me vier buscar,

    375Que eu não possa falar,

    376Possa eu dizer “Jesus!”

    377Três vezes “Jesus” 10

    378Para minha alma se salvar.

    379Cruz preciosa!

    380Cruz bendita!

    381No Céu estás escrita,

    382Na Terra alumiada, 15

    383Todos os anjos do Céu,

    384Acompanhem minha alma!

    385Jesus seja comigo,

    386E eu com Ele;

    387Ele adiante, 20

    388E eu atrás d’Ele;

    389A cruz do Senhor

    390Se deite sobre mim;

    391Quem nela padeceu

    392Responda por mim. 25

    393(Lisboa)

    9. Padre nosso pequenino20

    a.

    394Padre nosso pequenino!

    395Quando Deus era menino,

    396Põe a chave no divino (sic).

    397Quem a pôs, quem a poria?

    398Foi a Santa Madalena. 5

    399Cruz do monte! e cruz da fonte!

    400Nunca o Demónio me encontre,

    401Nem de noite, nem de dia,

    402Nem à hora do meio-dia.

    403Já o galo cantou, 10

    404Já o menino se alevantou,

    405Já o Senhor está na cruz.

    406Para sempre. Amen Jesus!

    407(Lisboa)

    b.21

    408Padre nosso pequenino!

    409Quando Deus era menino,

    410Que andava pelo mar,

    411Com três Marias a par;

    412Uma era Páscoa Flor, 5

    413Outra Páscoa Leonor,

    414Outra Páscoa Índua (sic);

    415Lá vem São Brás da Índia,

    416São Brás, Santa Luzia;

    417Tende mão da minha tarefa, 10

    418O que me dirá a snra mestra (sic)?

    419(Lisboa)

    10. Oração para afastar a trovoada22

    a.

    420Santa Bárbara bendita,

    421Que nos céus estais escrita!

    422Espalhai a trovoada,

    423Que está no céu armada;

    424Espalhai-a p’ra bem longe, 5

    425Onde não haja pão, nem vinho,23

    426Nem flor de rosmaninho.24

    427Já os galos cantavam

    428Quando o Senhor subiu à cruz.

    429Para sempre. Amen Jesus!

    430(Abrantes)

    b.

    431Santa Bárbara bendita

    432Que no céu estás escrita!

    433Papelinho de água benta (sic),

    434P’ra espalhar esta tormenta,

    435Para a terra dos mouros;

    436Não haja pão, nem vinho,

    437Nem flor de rosmaninho,

    438Nem ouvir cantar os galos,

    439Nem ouvir repicar os sinos.

    440(Abrantes)

    11. Oração para livrar de cão danado25

    441Louvamos a Deus,

    442E à lua nova,

    443E a São Vicente,

    444E a São Clemente,

    445Que nos livre de má gente, 5

    446E de dor

    447de cão doente.

    448(Lisboa)

    V – Cantigas a São João26

    1

    449São João da barba doirada,

    450Onde dormiste a madrugada?

    451– Dormi naquela horta,

    452– E acordei com estas cachopas.27

    453(Lisboa)

    2

    454São João adormeceu

    455Entre os braços de Maria;

    456“Acorda João! acorda,

    457Que amanhã é o teu dia!”28

    458(Lisboa)

    3

    459São João, ele vai, ele vem!

    460Minha mãe por casar me tem;

    461Se eu ao outro São João chegar,

    462Solteirinha não hei-de ficar!

    463(Lisboa)

    4

    464São João adormeceu

    465Nas escadas do colégio;

    466Deu a Justiça com ele,

    467São João tem privilégio!29

    468(Lisboa)

    5

    469“Que é aquilo? que é aquilo?

    470– É São João a apanhar um grilo!

    471– Não é nada, não é nada,

    472São João a comer pescada.”

    473(Lisboa)

    6

    474São João leva a seu lado,

    475Mais de vinte e cinco viúvas;

    476Ao desembarcar tal tropa,

    477São João perdeu as luvas.

    478(Lisboa)

    7

    479Donde vindes, São João,

    480Que vindes tão orvalhado?30

    481“Venho de baptizar Cristo,

    482Cristo ficou baptizado.”

    483(Lisboa)

    8

    484São João e Santo António,

    485Ambos têm no Céu cadeira;

    486Santo António leva a chave,

    487E São João a bandeira.

    488(Lisboa)

    9

    489São João é pobre,

    490Precisa calções;

    491Dêem-lhe o pano,

    492Que eu lhe porei os botões.

    493(Lisboa)

    10

    494Donde vindes, São João,

    495Tão bem cheirais a marcela?

    496“Venho do rio Jordão,

    497De fazer uma capela.”

    498(Lisboa)

    11

    499São João perdeu a capa

    500No caminho do estudo;

    501Juntaram-se as moças todas,

    502Fizeram-lhe uma de veludo.

    503(Lisboa)

    12

    504Fui-me à porta do Baptista,

    505Perguntar por meus amores;

    506Lá de dentro me atiraram

    507Uma capela de flores.

    508(Lisboa)

    13

    509São João perdeu a capa,

    510No caminho do jardim;

    511Juntaram-se as moças todas

    512Fizeram-lhe uma de cetim.

    513(Lisboa)

    14

    514Fui à porta do Baptista,

    515Perguntar por meus cuidados;

    516Lá de dentro me atiraram

    517Uma capela de cravos.

    518(Lisboa)

    15

    519Santo Antônio colhe as uvas,

    520São Pedro deita-as na cesta,

    521São João faz a capela,

    522Cristo põe-na na cabeça.

    523(Lisboa)

    16

    524Que lindo laço de fita,

    525Que o Baptista traz ao peito!

    526Foi feito à maravilha,

    527À maravilha foi feito.

    528(Lisboa)

    17

    529Lá vem o Baptista abaixo,

    530Com a capa cor de fogo;

    531Que vem de ver as fogueiras

    532Da Senhora do Socorro.

    533(Lisboa)

    18

    534Oh! que lindo baptizado,

    535Que vem do rio Jordão;

    536São João a baptizar Cristo!

    537E Cristo a São João!

    538(Lisboa)

    19

    539Lá vem São João abaixo,

    540Com Maria pela mão;

    541São João é cravo roxo;

    542Maria, manjaricão.

    543(Abrantes)

    20

    544São João era bom santo,

    545Se não fosse tão velhaco...

    546Foi à fonte com três moças,

    547À vinda veio com quatro!

    548(Abrantes)

    21

    549São João era bom moço,

    550Se não fosse tão garoto...

    551Foi à fonte com três moças,

    552À vinda veio com oito!

    553(Abrantes)

    22

    554Lá vem São João à barra,

    555Com trinta mil donzelas;

    556Embarca, não desembarca,

    557São João vem no meio delas!

    558(Abrantes)

    23

    559Donde vindes, São João,

    560Pela calma sem chapéu?

    561“Venho de ver as fogueiras,

    562Que se fizeram no céu.”31

    563(Abrantes)

    24

    564São João à minha porta!

    565Eu não tenho que lhe dar...

    566Vou dar-lhe uma cana verde,

    567Para pôr no seu altar.

    568(Abrantes)

    25

    569São João p’ra ver as moças,

    570Fez uma fonte de prata;

    571As moças não vão à fonte...

    572São João todo se mata!32

    573(Abrantes)

    26

    574São João p’ra ver as moças,

    575Fez uma fonte de cortiça;

    576As moças não vão à fonte...

    577São João todo se ariça33 (sic).

    578(Abrantes)

    27

    579Vamos, raparigas, todas,

    580Ao rosmaninho que cheira,

    581Na noite de São João,

    582A fazer uma fogueira!

    583(Idem)

    28

    584Ó meu rico São João!

    585Meu rico São Joãozinho!

    586Haveis de ser meu compadre,

    587Do meu primeiro menino.

    588(Vila Nova de Gaia)

    29

    589São João adormeceu

    590Nas escadinhas do coro;

    591Deram as bruxas com ele,

    592Depenicaram-no todo!

    593(Idem)

    30

    594Se o São João soubesse,

    595Quando era o seu dia...

    596Descera do Céu à Terra

    597Oh! que festa não faria!

    598(Idem)

    31

    599O São João adormeceu,

    600Aos três dias acordou...

    601“Acorda, João, acorda!

    602Que o teu dia já passou.”

    603(Idem)

    32

    604Donde vindes São João

    605Pela manhã, sem chapéu?

    606“Venho de ver as fogueiras,

    607Que se apagaram no céu.”

    608(Idem)

    33

    609São João, vaso de cravo!

    610No ventre se ajoelhou,

    611Quando a mãe de Jesus

    612Santa Isabel visitou.

    613(Idem)

    34

    614O São João prometeu

    615De dar capela às casadas,

    616De cravos a34 mais de rosas,

    617De selindras encarnadas.

    618(Idem)

    35

    619O São João prometeu

    620De dar capela às solteiras,

    621De cravos a35 mais de rosas,

    622E de selindras vermelhas.

    623(Idem)

    36

    624O São João prometeu

    625De dar capela às viúvas,

    626De cravos a36 mais de rosas,

    627E de selindras escuras.

    628(Idem)

    37

    629Vinde ver o São João,

    630Como está tão asseado!

    631Vestido à realista,37

    632Com o seu carneiro ao lado.

    633(Idem)

    38

    634Na noite de São João,

    635Bem tolo é quem se deita!38

    636Para tomar as orvalhadas,

    637No campo de Cedofeita.

    638(Idem)

    39

    639Aí vem o Evangelista,

    640Por entre os olivais;

    641“Vai-te embora, Evangelista!

    642Que o Baptista pode mais.”

    643(Idem)

    40

    644Donde vindes São João,

    645Com uma capa de chita?

    646Venho de ver as fogueiras,

    647Da Senhora Santa Rita.

    648(Idem)

    41

    649Abaixai-vos carvalheiras!

    650Com os ramos para o chão.

    651Deixai passar os romeiros.

    652Que vão para o São João.

    653(Idem)

    42

    654Na noite de São João,

    655É o tomar dos amores;

    656Que dá o damo39 à dama

    657Um raminho de flores.

    658(Idem)

    43

    659Ó meu rico São João,

    660Que tendes na mão que luz?

    661“São as petições das donzelas,40

    662Despachadas por Jesus.”

    663(Idem)

    44

    664Vamos, raparigas! todas,

    665Tomar as ondas ao mar!

    666Que o São João é bom santo,

    667Do perigo nos há-de livrar.

    668(Idem)

    45

    669Até os mouros na Mourama,

    670Festejam o São João!

    671Quando os mouros o festejam

    672Que fará quem é cristão?

    673(Idem)

    46

    674São João baptizou Cristo,

    675Cristo baptizou João;

    676Oh! que belo baptizado

    677Vai no rio de Jordão.41

    678(Idem)

    47

    679Ó meu rico São João!

    680Que tendes na mão fechada?

    681“É a petição das donzelas,

    682Que ainda não está despachada.”

    683(Idem)

    48

    684Ó meu rico São João!

    685Dai-me peras do vosso balcão.

    686-------------------------

    687------------------------

    688(Idem)

    49

    689No altar do São João,

    690Nasceu uma cerejeira;

    691Detoisa42 da donzelinha

    692Que lhe colher a primeira!43

    693(Idem)

    50

    694No altar do São João,

    695Nasceu um lindo craveiro;

    696Detoisa44 da donzelinha,

    697Que lhe colher o primeiro!45

    698(Idem)

    51

    699Raparigas! raparigas!

    700Raparigas de feição!

    701Vinde fazer a camisa

    702Ao Baptista São João.

    703(Idem)

    52

    704O São João chora, chora,

    705Lágrimas de prata fina:

    706Que lhe fugiu um cordeiro

    707Por aquela serra acima.

    708(Idem)

    53

    709Donde vindes, São João,

    710Que vindes tão molhadinho?

    711“Eu venho daquela horta,

    712De regar o cebolinho.”

    713(Idem)

    54

    714Até os Mouros na Mourama

    715Festejam o São João!

    716Correm cavalos e touros,

    717Com canas verdes na mão.46

    718(Idem)

    55

    719Dá pequena pancada,

    720Rei mouro!

    721Não quebres a espada,

    722Que é d’ouro!47

    723(Idem)

    56

    724Que é aquilo,

    725Que no céu branqueja?

    726“É São João

    727Na sua Igreja.”

    728(Idem)

    57

    729Que é aquilo,

    730Que no céu luz?

    731“É São João

    732Com sua cruz.”

    733(Idem)

    58

    734Ó meu rico São João!

    735Quem vos meteu entre as flores?

    736“Foram as donzelinhas,

    737Que não têm outros amores!”

    738(Idem)

    59

    739Ó meu rico São João!

    740Quem vos meteu entre cravos?

    741“Foram as moças donzelas,

    742Que não têm outros cuidados!”

    743(Idem)

    60

    744Ó meu rico São João!

    745Quem vos meteu entre as rosas?

    746“Foram as donzelinhas,

    747Que são muito cuidadosas!”

    748(Idem)

    61

    749Levantaram-se as três Marias

    750Na noite de São João,

    751Foram ver se o cravo branco48

    752Estava aberto ou não:

    753Acharam-no fechadinho,

    754Puseram-se a chorar,

    755Disseram umas para as outras:

    756“Não havemos de casar!

    757Casaremos, não casaremos,

    758São João festejaremos!”

    759(Idem)

    62

    760Orvalhadas!49

    761Minhas orvalhadas!

    762Viva o rancho

    763Das moças casadas!

    764Orvalhadas!

    765Minhas orvalheiras!

    766Viva o rancho

    767Das moças solteiras!

    768Orvalhadas!

    769Minhas orvalhudas!

    770Viva o rancho

    771Das mulheres viúvas!

    772(Idem)

    VI – Parlengas infantis e jogos populares

    1

    a.

    773Amanhã é domingo,

    774Pé de caminho;

    775Salta o galo no monte;

    776O monte é de ouro;

    777Salta no touro; 5

    778O touro é bravo,

    779Marra no fidalgo;

    780O fidalgo é valente,

    781Enterra toda a gente,

    782Na cova de um dente!50 10

    b.

    783Amanhã é domingo,

    784Toca o sino;

    785O sino é de oiro,

    786Toca no toiro;

    787O toiro é bravo, 5

    788Toca no adro;

    789O adro é fino,

    790Toca no sino;

    791O sino é valente,

    792Toca em toda a gente! 10

    c.

    793Amanhã é domingo,

    794Cantará o pintassilgo;

    795Pintassilgo é derrabado,

    796Não tem sela nem cavalo;

    797Tem só uma mulinha ceza, 5

    798Que vai d’aqui a Castela,

    799De Castela a Castelão,

    800Buscar um moio de pão,

    801P’ra mim e mais p’ro meu cão.

    802O meu cão não está em casa, 10

    803Está debaixo do navio.

    804Dá-lhe o vento, dá-lhe o frio,

    805Corre como um correpio;

    806Dá-lhe o vento, dá-lhe o sol,

    807Canta como um rouxinol. 15

    808(Lisboa)

    251

    809Vassourinha, vassourinha,

    810Vai varrer tua casinha

    811Com a vassourinha d’el-rei.

    812Pirinico, pirinico,

    813Quem te deu tamanho bico?

    814Ou de ouro ou de prata,

    815Mete as mãos numa escura buraca.

    816(Lisboa)

    352

    817Sola, sapato,

    818Rei, rainha,

    819Vai ao mar

    820Buscar sardinha,

    821Para o filho 5

    822Do juiz,

    823Que está preso

    824Pelo nariz.

    825Os cavalos a correr

    826As meninas a aprender, 10

    827Qual será a mais bonita,

    828Que se há-de ir esconder.

    829(Lisboa)

    353

    830Um e dois,

    831E argolinha,

    832Finca o pé

    833Na pampulhinha.

    834Ó rapaz 5

    835Que jogo faz?

    836– Faço o jogo

    837De capão;

    838De capão,

    839Manuel João, 10

    840Conta bem,

    841Que vinte são.

    842Se contar,

    843E não errar,

    844Vinte e quatro 15

    845Hás-de achar.

    846Diz à velha

    847Do velhinho,

    848Que está coxinho

    849De um dedinho. 20

    850(Lisboa)

    4. O tangro-mangro54

    851Minha mãe teve dez filhos,

    852Todos dez dentro de um pote;

    853Deu-lhe o tangro-mangro neles,

    854Não ficaram, senão nove.

    855Desses nove que ficaram,

    856Foram amassar biscoito;

    857Deu-lhe o tangro-mangro neles,

    858Não ficaram senão oito.

    859Desses oito que ficaram,

    860Foram pentear o topete;

    861Deu-lhe o tangro-mangro neles,

    862Não ficaram senão sete.

    863Desses sete que ficaram,

    864Foram esperar os reis;

    865Deu-lhe o tangro-mangro neles,

    866Não ficaram senão seis.

    867Desses seis que ficaram,

    868Foram depenar um pinto;

    869Deu-lhe o tangro-mangro neles,

    870Não ficaram senão cinco.

    871Desses cinco que ficaram,

    872Foram depenar um pato;

    873Deu-lhe o tangro-mangro neles,

    874Não ficaram senão quatro.

    875Desses quatro que ficaram,

    876Foram matar uma rês;

    877Deu-lhe o tangro-mangro neles,

    878Não ficaram senão três.

    879Desses três que ficaram,

    880Foram pastar os bois;

    881Deu-lhe o tangro-mangro neles,

    882Não ficaram senão dois.

    883Desses dois que ficaram,

    884Foram matar um perum (sic);

    885Deu-lhe o tangro-mangro neles,

    886Não ficou senão um.55

    887(Lisboa)

    556

    888Bolinhós, bolinhós,

    889Para mim, e para vós;

    890Para os vossos finados,

    891Que estão enterrados

    892Ao pé da bela cruz. 5

    893Para sempre. Amen Jesus!

    894(Coimbra)

    b.

    895Esta casa é bem alta,

    896Forrada de papelão,

    897O senhor que mora nela,

    898É um grande capitão.

    899Esta casa cheira a unto, 5

    900Aqui morreu algum defunto!

    901Esta casa cheira a breu,

    902Aqui mora algum judeu!

    903(Coimbra)

    VII – Enigmas populares57

    1. O ovo

    a.

    904Igreja branca,

    905Sem porta nem tranca.58

    906(Lisboa)

    b.

    907Menina bonita,

    908Saia amarela,

    909Casa caiada,

    910Ninguém entra nela.

    911(Lisboa)

    c.

    912Branco é,

    913Galinha o põe

    914Numas palhinhas.

    915(Coimbra)

    2. A trempe

    916Tem pernas

    917E não anda;

    918Tem coroa,

    919E não diz missa.

    920(Lisboa)

    3. A mesa

    921Por cima do pinho

    922Linho;

    923Por cima do linho

    924Flores;

    925E à roda

    926Amores.

    927(Lisboa)

    4. A romã

    a.

    928Tem tantos escaninhos

    929Que nem se podem contar.

    930(Lisboa)

    b.

    931Redondinha, redondinha,

    932Como a pedra de jogar;

    933Tem tantos escaninhos,

    934Que não se podem contar!

    935(Lisboa)

    5. O dedal

    936Nós somos muitos irmãos,

    937Espalhados pelo mundo;

    938Muitas mulheres,

    939E alguns homens

    940Nos procuram.

    941Nós não sendo Carapuças,

    942Nem chapéus,

    943Nem coisas de enfeitar,

    944Todos nos põem na cabeça.

    945(Lisboa)

    6. A azeitona

    946Verde foi meu nascimento,

    947E de luto me vesti;

    948Para dar luz ao mundo,

    949Mil tormentos padeci.

    950(Lisboa)

    7. A parede

    951Estando a Snra D. Branca

    952Muito bem repimpada,

    953Veio o Snr. Barbaças,

    954Deu-lhe uma bofetada!

    955(Lisboa)

    8. A língua

    956Estando a Snra D. Princesa

    957Entre tábuas e tabuinhas,

    958Chova que não chova,

    959Sempre está molhadinha.

    960(Lisboa)

    9. A chave

    961Tenho uma íntima amiga,

    962Com quem eu muito me dou;

    963Ela sem mim não é nada,

    964Eu sem ela nada sou.

    965(Lisboa)

    10. A escrita

    966Cinco bailharicos,

    967Uma balhareta;

    968O chão é branco,

    969A semente é preta.

    970(Lisboa)

    11. A luz

    a.

    971Do tamanho de uma belota,

    972Enche a casa até à porta.

    973(Lisboa)

    b.

    974Do tamanho de uma belota,

    975Acompanha até à porta.

    976(Lisboa)

    12. O cigarro

    977Branca por fora,

    978Preta por dentro,

    979Encarnada na pontinha.

    980(Lisboa)

    13. O pão

    981Sem osso,

    982Nem espinha;

    983No calor se empina.

    984(Lisboa)

    14. A tesoura

    985Madama delicada,

    986Delicada no comer;

    987Mastiga e bota fora,

    988Engolir não pode ser.

    989(Lisboa)

    Notes de bas de page

    1 Nota do Prefaciador: Originalmente publicado na Romania, 1881, vol. X: 100-116.

    2 Em via de publicação, sob o título de Contribuições para uma Mitologia Popular Portuguesa. Saíram já três números.

    3 Temos pronta uma colecção inédita.

    4 O Snr. Adolfo Coelho, que há anos se ocupa em coligir tradições portuguesas, está preparando um trabalho importante sobre este assunto.

    5 Contos Populares Portugueses.

    6 Sem falar no Romanceiro de Garrett, veja-se principalmente o Cancioneiro e Romanceiro Geral Português (5 vols.) do Snr. Teófilo Braga, e Romances Populares e Rimas Infantis Portuguesas, de A. Coelho, Zeitsschr. f. rom. Phil., III; e Romania, III, pág. 263 e seg.

    7 Refere-se esta passagem ao milagre que se deu por essa ocasião, conforme no-lo diz a lenda em prosa mais detalhadamente.

    8 Alusão a outro milagre, contado extensamente na lenda em prosa.

    9 Também se chamam Janeiras. Na véspera do dia de Ano Bom, vão ranchos cantar as janeiras defronte das casas das pessoas abastadas, para receberem alguma espórtula. É nessa ocasião que se canta o romance do Natal. Nas vizinhanças do Porto onde o romance foi coligido, ainda este costume tem uma grande vitalidade, assim como em todo o Minho. Noutros pontos do País, apenas do costume sobreviveu o uso das boas-festas, em que nada se canta já.

    10 Não.

    11 Do mesmo modo que as janeiras, mas cantam-se na véspera de dia de Reis. Podem ver-se duas versões deste romance, mas muito diferentes da que publicamos, em Cantos Populares do Arquipélago Açoriano publicados por Teófilo Braga, n.os 63 e 64.

    12 Ditosa.

    13 E banhou o seu cutelo (pode restituir-se).

    14 Cf. Coelho, Romances Sacros, etc. (Rom., III, pág. 266), e Teófilo Braga, Cancioneiro Popular, pág. 171.

    15 Cf. Coelho, Romances Populares e Rimas Infantis Portuguesas (Zeitschr. f. rom. Phil., III, pág. 193).

    16 Excelente.

    17 Cf. Coelho, Romances Populares e Rimas, etc., in Zeitschr. f. rom. Phil. III, pág. 194.

    18 Ditaram-ma como uma oração, se bem que mais pareça o fragmento de um “romance sacro”.

    19 Cf. Coelho, Romances Populares, etc., Zeitschr. f. rom. Phil, III, pág. 194. Tanto esta oração como as duas anteriores foram-me ditadas por Francisca da Piedade, de Lisboa, criada de minha mãe.

    20 Cf. Teófilo Braga, Cancioneiro Popular, pág. 172.

    21 O final desta variante parece indicar que a “oração” degenerou em “parlenga”, de que o que acima se lê talvez seja apenas um fragmento.

    22 Esta oração é provavelmente o resíduo de um antigo esconjuro, para afastar ou dissipar as trovoadas. Cf. a seguinte esconjuração, que ainda hoje nalgumas aldeias de Portugal está em vigor para o mesmo efeito. (A. F. Castilho, Fastos de Ovídio, notas ao vol. II, pág. 276, 277): “Senhor Jesus Cristo, que fizeste o céu e a terra, o mar e tudo o que no mundo habita; que abençoaste o rio Jordão e nele quiseste ser baptizado, e que estendeste na cruz as tuas mãos e braços santíssimos, com que santificaste o ar; imploramos a tua imensa piedade e bondade para que te dignes de dissolver e aniquilar estas nuvens, que vejo adiante, atrás e por cima de mim, da direita e da esquerda, perturbando o ar, a fim de que agrilhoada a potência dos embravecidos demónios caduque e seja confundida, para louvor do teu santíssimo nome e poderosíssima majestade cerque-te, oh! nuvem, Deus Pai; cerque-te Deus Filho; cerque-te Deus Espírito Santo. Destrua-te Deus Pai; destrua-te Deus Filho; destrua-te Deus Espírito Santo. Aniquile-te Deus Pai; aniquile-te Deus Filho; aniquile-te Deus Espírito Santo Eu pecador e sacerdote de Cristo, seu indigno ministro, pela autoridade e virtude do mesmo Deus e Senhor Nosso Jesus Cristo, supremo imperador, vos ordeno, oh! imundíssimos espíritos, que excitastes estas nuvens ou névoas, que delas saiais e as disperseis para lugares incultos, onde não prejudiquem os homens, os animais, os frutos, as ervas, as árvores, ou quaisquer coisas destinadas para o uso dos homens.” Este esconjuro, se bem que perdeu na boca do sacerdote parte da sua forma popular, no fundo porém é-o completamente, como de resto é fácil de verificar aproximando-o das orações acima dadas, coligidas directamente da tradição oral.

    23 Searas nem vinhas.

    24 Pastagens.

    25 Esta oração, para ter eficácia, deve rezar-se voltando-se para a Lua, a primeira vez que se vê lua nova.

    26 De todos os cantos do povo português, que podem coligir-se para um cancioneiro popular, não há nenhuns tão importantes como os de São João. Não são somente curiosos usos e superstições que neles se encontram, mas alusões míticas muito directas ao fenómeno natural, que a festa popular inconscientemente celebra. Esta festa que, para não falar em outros povos, é comum às nações de língua latina, aos Germanos (cf. Deutsche Mythologie, etc. etc.) e aos Eslavos (cf. Afanasiev, Poeticheskiia vozzrieniia slavian na prirodu, vol. III, pág. 710-724, etc.; Ralston, The Songs of the Russian People, 2nd edit., pág. 239-246; etc. representa em Portugal o centro de todas as tradições míticas e legendárias. Na noite de São João todos os encantos se quebram, aparecem tesouros ao de cima da água, têm uma virtude maravilhosa o orvalho apanhado antes do nascer do Sol (osterwasser = orvalhadas), as flores do campo, as ervas, etc., etc. (cf. o número III das minhas Contribuições para uma Mitologia Popular Portuguesa). Destes cantos, porém, pouco ou nada havia coligido. Apenas o Sr. Teófilo Braga publicou (da tradição oral) 5 quadras (Cancioneiro Popular, pág. 159). Nós apresentamos 62, e ainda não esgotámos a nossa colecção.

    27 Raparigas, donzelas.

    28 Para a associação na poesia popular dos nomes de João e Maria, cf., entre outros povos, os Eslavos. (Afanasiev, Poetitcheskiya, etc., vol. III, pág. 722, e Ralston, The Songs, etc., pág. 241).

    29 Cf. Teófilo Braga, Cancioneiro Popular, pág. 159.

    30 Cf. Teófilo Braga, Cancioneiro Popular, pág. 159.

    31 Cf. Teófilo Braga, Cancioneiro Popular, pág. 159.

    32 Cf. Teófilo Braga, loc. cit.

    33 Erriça, ouriça = zanga ou encoleriza-se.

    34 E.

    35 E.

    36 E.

    37 Encarnado e azul.

    38 Cf. a superstição popular de que ninguém se deve deitar na noite de São João. Cf. mais o terceiro número das minhas Contribuições para uma Mitologia Popular Portuguesa.

    39 Rapaz solteiro. Da mesma sorte em muitos pontos do Minho se diz raparigo e rapaza respectivamente por “rapaz” e “rapariga”.

    40 Para se casarem. N.° 47, idem, Cf. Contribuições para uma Mitologia, etc.

    41 Cf. n.° 18, acima.

    42 Ditosa.

    43 Superstição?

    44 Ditosa.

    45 Superstição?

    46 Cf. n.° 45.

    47 Esta quadra que parece não ter relação imediata com o assunto, é contudo incluída, como pertencendo a São João, conforme a tradição oral, que em nada alteramos, mesmo quando a não podemos compreender.

    48 Alusivo a superstição?

    49 Osterwasser; do orvalho que cai na noite de São João, e ao qual na tradição popular portuguesa se atribuem muitas virtudes.

    50 F. Teófilo Braga, Contos Populares do Arquipélago Açoriano, pág. 177.

    51 Foi-me ditado isto como uma simples parlenga. Nalguns sítios, porém, é esta parlenga transformada em jogo da seguinte maneira: As crianças sentam-se, formando roda, com as mãos estendidas e abertas de palma para cima. Uma delas vai dizendo os versos e correndo com a mão fechada por cima das mãos das outras. Quando chega ao verso 4, começa a beliscar, e a mão que belisca ao pronunciar o último verso, retira-se para trás das costas. Depois continua na mesma ordem.

    52 Cf. Coelho, Romances Populares e Rimas, etc. (Zeitschr. f. rom. Phil., III, 196). Pode ser transformada num jogo do mesmo modo que o anterior, com a diferença de que não se belisca.

    53 É algumas vezes transformada em jogo, exactamente com as outras duas, retirando-se ou escondendo-se a mão que é tocada pela pessoa que fala, ao dizer o último verso.

    54 Para a significação provável desta parlenga, cf. Coelho, Romances Populares e Rimas, etc. (Zeitschr. f. rom. Phil., III, 199), onde se lê uma variante.

    55 Falta o último verso, em que devia contar-se a sorte do derradeiro, mas a pessoa que me ditou isto não o sabia.

    56 Em Coimbra em “dia de finados”, andam os rapazes pedindo pelas portas, e cantando estes versos. Cf. Chants de quêtes, etc. (Romania, II, pág. 59 ss).

    57 Foram-me ditados quase todos estes enigmas pelo Snr. Silvino Auta Abreu, de Lisboa.

    58 Cf. Coelho, Romances e Rimas, etc., pág. 198.

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    1 Nota do Prefaciador: Originalmente publicado na Romania, 1881, vol. X: 100-116.

    2 Em via de publicação, sob o título de Contribuições para uma Mitologia Popular Portuguesa. Saíram já três números.

    3 Temos pronta uma colecção inédita.

    4 O Snr. Adolfo Coelho, que há anos se ocupa em coligir tradições portuguesas, está preparando um trabalho importante sobre este assunto.

    5 Contos Populares Portugueses.

    6 Sem falar no Romanceiro de Garrett, veja-se principalmente o Cancioneiro e Romanceiro Geral Português (5 vols.) do Snr. Teófilo Braga, e Romances Populares e Rimas Infantis Portuguesas, de A. Coelho, Zeitsschr. f. rom. Phil., III; e Romania, III, pág. 263 e seg.

    7 Refere-se esta passagem ao milagre que se deu por essa ocasião, conforme no-lo diz a lenda em prosa mais detalhadamente.

    8 Alusão a outro milagre, contado extensamente na lenda em prosa.

    9 Também se chamam Janeiras. Na véspera do dia de Ano Bom, vão ranchos cantar as janeiras defronte das casas das pessoas abastadas, para receberem alguma espórtula. É nessa ocasião que se canta o romance do Natal. Nas vizinhanças do Porto onde o romance foi coligido, ainda este costume tem uma grande vitalidade, assim como em todo o Minho. Noutros pontos do País, apenas do costume sobreviveu o uso das boas-festas, em que nada se canta já.

    10 Não.

    11 Do mesmo modo que as janeiras, mas cantam-se na véspera de dia de Reis. Podem ver-se duas versões deste romance, mas muito diferentes da que publicamos, em Cantos Populares do Arquipélago Açoriano publicados por Teófilo Braga, n.os 63 e 64.

    12 Ditosa.

    13 E banhou o seu cutelo (pode restituir-se).

    14 Cf. Coelho, Romances Sacros, etc. (Rom., III, pág. 266), e Teófilo Braga, Cancioneiro Popular, pág. 171.

    15 Cf. Coelho, Romances Populares e Rimas Infantis Portuguesas (Zeitschr. f. rom. Phil., III, pág. 193).

    16 Excelente.

    17 Cf. Coelho, Romances Populares e Rimas, etc., in Zeitschr. f. rom. Phil. III, pág. 194.

    18 Ditaram-ma como uma oração, se bem que mais pareça o fragmento de um “romance sacro”.

    19 Cf. Coelho, Romances Populares, etc., Zeitschr. f. rom. Phil, III, pág. 194. Tanto esta oração como as duas anteriores foram-me ditadas por Francisca da Piedade, de Lisboa, criada de minha mãe.

    20 Cf. Teófilo Braga, Cancioneiro Popular, pág. 172.

    21 O final desta variante parece indicar que a “oração” degenerou em “parlenga”, de que o que acima se lê talvez seja apenas um fragmento.

    22 Esta oração é provavelmente o resíduo de um antigo esconjuro, para afastar ou dissipar as trovoadas. Cf. a seguinte esconjuração, que ainda hoje nalgumas aldeias de Portugal está em vigor para o mesmo efeito. (A. F. Castilho, Fastos de Ovídio, notas ao vol. II, pág. 276, 277): “Senhor Jesus Cristo, que fizeste o céu e a terra, o mar e tudo o que no mundo habita; que abençoaste o rio Jordão e nele quiseste ser baptizado, e que estendeste na cruz as tuas mãos e braços santíssimos, com que santificaste o ar; imploramos a tua imensa piedade e bondade para que te dignes de dissolver e aniquilar estas nuvens, que vejo adiante, atrás e por cima de mim, da direita e da esquerda, perturbando o ar, a fim de que agrilhoada a potência dos embravecidos demónios caduque e seja confundida, para louvor do teu santíssimo nome e poderosíssima majestade cerque-te, oh! nuvem, Deus Pai; cerque-te Deus Filho; cerque-te Deus Espírito Santo. Destrua-te Deus Pai; destrua-te Deus Filho; destrua-te Deus Espírito Santo. Aniquile-te Deus Pai; aniquile-te Deus Filho; aniquile-te Deus Espírito Santo Eu pecador e sacerdote de Cristo, seu indigno ministro, pela autoridade e virtude do mesmo Deus e Senhor Nosso Jesus Cristo, supremo imperador, vos ordeno, oh! imundíssimos espíritos, que excitastes estas nuvens ou névoas, que delas saiais e as disperseis para lugares incultos, onde não prejudiquem os homens, os animais, os frutos, as ervas, as árvores, ou quaisquer coisas destinadas para o uso dos homens.” Este esconjuro, se bem que perdeu na boca do sacerdote parte da sua forma popular, no fundo porém é-o completamente, como de resto é fácil de verificar aproximando-o das orações acima dadas, coligidas directamente da tradição oral.

    23 Searas nem vinhas.

    24 Pastagens.

    25 Esta oração, para ter eficácia, deve rezar-se voltando-se para a Lua, a primeira vez que se vê lua nova.

    26 De todos os cantos do povo português, que podem coligir-se para um cancioneiro popular, não há nenhuns tão importantes como os de São João. Não são somente curiosos usos e superstições que neles se encontram, mas alusões míticas muito directas ao fenómeno natural, que a festa popular inconscientemente celebra. Esta festa que, para não falar em outros povos, é comum às nações de língua latina, aos Germanos (cf. Deutsche Mythologie, etc. etc.) e aos Eslavos (cf. Afanasiev, Poeticheskiia vozzrieniia slavian na prirodu, vol. III, pág. 710-724, etc.; Ralston, The Songs of the Russian People, 2nd edit., pág. 239-246; etc. representa em Portugal o centro de todas as tradições míticas e legendárias. Na noite de São João todos os encantos se quebram, aparecem tesouros ao de cima da água, têm uma virtude maravilhosa o orvalho apanhado antes do nascer do Sol (osterwasser = orvalhadas), as flores do campo, as ervas, etc., etc. (cf. o número III das minhas Contribuições para uma Mitologia Popular Portuguesa). Destes cantos, porém, pouco ou nada havia coligido. Apenas o Sr. Teófilo Braga publicou (da tradição oral) 5 quadras (Cancioneiro Popular, pág. 159). Nós apresentamos 62, e ainda não esgotámos a nossa colecção.

    27 Raparigas, donzelas.

    28 Para a associação na poesia popular dos nomes de João e Maria, cf., entre outros povos, os Eslavos. (Afanasiev, Poetitcheskiya, etc., vol. III, pág. 722, e Ralston, The Songs, etc., pág. 241).

    29 Cf. Teófilo Braga, Cancioneiro Popular, pág. 159.

    30 Cf. Teófilo Braga, Cancioneiro Popular, pág. 159.

    31 Cf. Teófilo Braga, Cancioneiro Popular, pág. 159.

    32 Cf. Teófilo Braga, loc. cit.

    33 Erriça, ouriça = zanga ou encoleriza-se.

    34 E.

    35 E.

    36 E.

    37 Encarnado e azul.

    38 Cf. a superstição popular de que ninguém se deve deitar na noite de São João. Cf. mais o terceiro número das minhas Contribuições para uma Mitologia Popular Portuguesa.

    39 Rapaz solteiro. Da mesma sorte em muitos pontos do Minho se diz raparigo e rapaza respectivamente por “rapaz” e “rapariga”.

    40 Para se casarem. N.° 47, idem, Cf. Contribuições para uma Mitologia, etc.

    41 Cf. n.° 18, acima.

    42 Ditosa.

    43 Superstição?

    44 Ditosa.

    45 Superstição?

    46 Cf. n.° 45.

    47 Esta quadra que parece não ter relação imediata com o assunto, é contudo incluída, como pertencendo a São João, conforme a tradição oral, que em nada alteramos, mesmo quando a não podemos compreender.

    48 Alusivo a superstição?

    49 Osterwasser; do orvalho que cai na noite de São João, e ao qual na tradição popular portuguesa se atribuem muitas virtudes.

    50 F. Teófilo Braga, Contos Populares do Arquipélago Açoriano, pág. 177.

    51 Foi-me ditado isto como uma simples parlenga. Nalguns sítios, porém, é esta parlenga transformada em jogo da seguinte maneira: As crianças sentam-se, formando roda, com as mãos estendidas e abertas de palma para cima. Uma delas vai dizendo os versos e correndo com a mão fechada por cima das mãos das outras. Quando chega ao verso 4, começa a beliscar, e a mão que belisca ao pronunciar o último verso, retira-se para trás das costas. Depois continua na mesma ordem.

    52 Cf. Coelho, Romances Populares e Rimas, etc. (Zeitschr. f. rom. Phil., III, 196). Pode ser transformada num jogo do mesmo modo que o anterior, com a diferença de que não se belisca.

    53 É algumas vezes transformada em jogo, exactamente com as outras duas, retirando-se ou escondendo-se a mão que é tocada pela pessoa que fala, ao dizer o último verso.

    54 Para a significação provável desta parlenga, cf. Coelho, Romances Populares e Rimas, etc. (Zeitschr. f. rom. Phil., III, 199), onde se lê uma variante.

    55 Falta o último verso, em que devia contar-se a sorte do derradeiro, mas a pessoa que me ditou isto não o sabia.

    56 Em Coimbra em “dia de finados”, andam os rapazes pedindo pelas portas, e cantando estes versos. Cf. Chants de quêtes, etc. (Romania, II, pág. 59 ss).

    57 Foram-me ditados quase todos estes enigmas pelo Snr. Silvino Auta Abreu, de Lisboa.

    58 Cf. Coelho, Romances e Rimas, etc., pág. 198.

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