Proémio
p. 15-16
Texte intégral
1Conhecida por ter “Badajoz à vista”, a história de Elvas durante muito tempo era quase que exclusivamente lembrada quando se tratava de glorificar o papel desta cidade durante o período da chamada Guerra da Restauração.
2Contudo, esta terra de fronteira e de fronteiras teve, durante o período medieval, uma existência e uma dinâmica que têm passado algo despercebidas. Da sua fundação quase nada se sabe e a sua integração na coroa portuguesa ainda hoje se reveste de contornos que se não dominam com toda a exactidão. Integrada num território onde não faltam as marcas de ocupações muito antigas, localizada junto a um dos mais importantes rios do sul ibérico – o Guadiana – a cidade de Elvas situa-se numa zona de cruzamento de caminhos e civilizações. Desde tempos pré-históricos que o seu território sentiu o pulsar do movimento dos povos a quem não foi indiferente o valor das suas terras e das suas águas.
3Porém, só durante o período islâmico é que surge claramente identificada nas fontes escritas, mantendo estreitas ligações com a cidade de Badajoz que vê crescer em frente de si.
4A sua integração nas terras dos reinos cristãos que se expandem para sul separa Elvas de Badajoz, colocando cada uma delas em reinos diferentes. Vizinha e por vezes rival, Elvas não deixará de ter o seu quotidiano marcado pela proximidade com Badajoz que sempre estará “à vista”.
5É desta cidade de fronteira e de fronteiras que agora se falará, tendo como ponto de partida uma dissertação de mestrado em História Medieval com mais de dez anos. Muito mudou, para melhor, em termos historiográficos. Apesar do tempo passado e das marcas que esse tempo deixou neste texto, não há possibilidade de o alterar em tudo o que precisa de revisão. É um texto datado, que passou pelo atento acompanhamento da Prof.ª Maria Ângela Beirante e pela crítica e arguição do Prof. A. H. de Oliveira Marques. A ambos estou grato, muito grato. Porém, algumas explicações redundantes foram retiradas e houve actualizações que não se puderam ignorar.
6Os vários séculos do período medieval cristão foram tratados sem perder de vista a compreensão das continuidades e rupturas em relação ao período islâmico, sobretudo no que diz respeito à paisagem urbana e ao quotidiano dos grupos humanos nela assentes. Continuidades e rupturas essas que se sentem na “vila” de Elvas a nível político, social e económico, mas também no que diz respeito ao urbanismo, aos equipamentos urbanos e à sua importância estratégica.
7Algumas dessas fontes são inéditas; outras foram já dadas a conhecer por eminentes eruditos locais que, com uma grande e persistente dedicação, contribuíram de forma inultrapassável para a divulgação da História e tradições de Elvas e da sua região.
8Esta obra nunca pretendeu abarcar a totalidade dos aspectos de que se revestiu o quotidiano da urbe e do território da Elvas islâmica e cristã até ao século XV; muito está ainda por estudar. Se este livro vier a ser útil para as gerações futuras – como foram os eruditos elvenses de outrora para o autor destas páginas – então terá cumprido o seu desígnio.
9Uma palavra muito especial para a Professora Maria Ângela Beirante, orientadora do trabalho académico que está na origem deste livro. Sem o seu aconselhamento e estímulo constantes esta obra não seria aquilo em que se tornou.
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