Agradecimentos
p. 5-7
Dédicace
Este livro é dedicado à memória do Professor Patrick Chabal, precursor do estudo da literatura, política e história da África Lusófona e o meu primeiro orientador de doutoramento.
Texte intégral
1O meu primeiro encontro com a literatura de ficção angolana deu-se no final da primeira década do Século XXI, quando tive a felicidade de viver no Lobito, uma das maiores cidades do país, durante mais de dois anos. Ficarei sempre grata à Nádia e à Mónica, minhas amigas e professoras de português que me deram a conhecer a cidade e foram as primeiras a sugerir que me candidatasse a uma colocação na universidade local. Estas jovens divertidas e inteligentes, que cresceram no período da guerra civil, são a encarnação da generosidade e sentido de humor com que muitos angolanos enfrentam dificuldades e privações. Estou igualmente grata à Yvonne pelas nossas inúmeras conversas sobre a atormentada História de Angola. Durante o tempo que vivi no Lobito, comecei a leccionar na Universidade Católica e, mais tarde, na Universidade Lusíada, onde conheci um grupo de estudantes que me impressionou com o seu dinamismo, desenvoltura e inteligência. A sua curiosidade e amabilidade incutiram-me o gosto por ensinar e o desejo de seguir uma carreira académica.
2A natureza alegre, descontraída e hospitaleira dos lobitangas contrastava com uma assinalável relutância em falar sobre política ou a guerra civil, que terminara recentemente. Em contrapartida, a ficção angolana cativou-me pelas suas dimensões abertamente políticas e históricas e a sua incessante revisão do passado traumático do país e constante dissecação das multifacetadas relações de poder que configuram a pós-colónia. Esta intrigante discrepância, e as muitas interrogações que suscitou, estão na génese do presente livro, que é uma versão revista da tese de doutoramento que apresentei ao King’s College de Londres, em 2018.
3Tive o enorme privilégio de iniciar o meu programa de doutoramento sob a orientação de Patrick Chabal. Além de grande especialista em História e cultura angolanas, Patrick foi também o académico mais interdisciplinar que conheci e o mais amável e motivador dos orientadores. Os nossos encontros semanais, nos primeiros meses do meu doutoramento, reforçaram a minha confiança e entusiasmo, e a sua influência no meu percurso académico e intelectual foi enorme. Este livro carrega a marca da sua interdisciplinaridade e é dedicado à sua memória.
4A partir de 2014, Toby Green tomou o lugar de Patrick como meu orientador e graças ao seu acompanhamento paciente, inteligente e generoso pude continuar este projecto em circunstâncias difíceis. O seu apoio, tanto na investigação propriamente dita como na evolução do meu percurso académico em geral foi inestimável. Vincent Hiribarren, o meu segundo orientador, mostrou-se igualmente solidário e perspicaz e ajudou-me a encontrar a minha voz como investigadora na área da literatura de ficção angolana num departamento de História. Ricardo Soares de Oliveira e Raquel Ribeiro, os arguentes das minhas provas de doutoramento, transformaram a minha defesa numa discussão vibrante sobre a ética e as dificuldades de fazer investigação em Angola, em particular, e a importância do contributo de diferentes disciplinas para a descrição das realidades complexas da África pós-colonial. Estou grata a ambos pela sua leitura atenta do meu texto e pelos comentários entusiastas que acabei por integrar em A Ficção como História. Além do Ricardo e da Raquel, uma nova geração de estudiosos de questões relacionadas com Angola foram uma fonte inesgotável de conhecimento e inspiração para o meu trabalho sobre o país, a sua história, sociedade e cultura. Chloé Buire, Jon Schubert, Juliana Lima, Jess Auerbach e outros apontaram-me novos caminhos de análise da Angola pós-colonial que muito beneficiaram a minha investigação.
5Desde que deixei o King’s, Phillip Rothwell, do departamento de Português da Universidade de Oxford, tem sido um mentor extremamente generoso e uma peça fundamental no processo de transformação da minha tese em monografia, revendo alguns capítulos, fazendo comentários e aconselhando-me relativamente a algumas propostas de publicação. O seu trabalho inovador sobre literatura africana em língua portuguesa e, em particular, sobre o escritor angolano Pepetela, tiveram uma influência profunda no meu pensamento crítico acerca da relação ambivalente entre literatura e política, em Angola. Além da estimulante investigação desenvolvida por Phillip, os seus conselhos amáveis e incentivo permanente foram essenciais para o avanço do projecto do livro durante o meu leitorado departamental, em Oxford, e posteriormente, como bolseira da Leverhulme Early Career Fellowship. A par de Phillip, quero ainda agradecer aos docentes e estudantes do departamento de Português, que souberam criar o ambiente mais motivador e intelectualmente estimulante que um investigador em início de carreira podia desejar. Estou especialmente grata a Claudia Pazos-Alonso pela sua presença e constante incentivo durante o meu primeiro ano em Oxford. O meu agradecimento sincero vai também para o Leverhulme Trust, a Faculdade de Línguas Medievais e Modernas e o Jesus College, Oxford, cujas generosas bolsas de estudo me garantiram as condições mais favoráveis para concluir a versão original do livro.
6Hilary Owen foi uma editora extremamente atenciosa e paciente ao longo dos dois anos tão difíceis da pandemia de Covid-19, e quero agradecer-lhe, assim como a Catherine Davies e aos leitores externos da editora Legenda, pelos comentários construtivos e criteriosos que ajudaram a dar mais consistência a este trabalho. Estou igualmente grata a Luís Madureira, Georgia Nasseh, Andrzej Stuart-Thompson e Catriona Parry, que simpaticamente se ofereceram para ler vários capítulos do livro, caçando gralhas e inconsistências e oferecendo-me valiosas sugestões. Emily Troscianko, com as suas oficinas de escrita e o seu curso de escrita em parceria, e Caterina Liberace, a minha companheira de escrita, foram ajudas preciosas na revisão integral do original, em 2021.
7Agradeço ao Jesus College, na Universidade de Oxford, pelo generoso apoio financeiro à tradução do meu livro do inglês para o português e sou grata pelo excelente trabalho de tradução realizado por Susana de Faria Sousa e Silva. Muito obrigada à Jane Pi pela sua maravilhosa imagem de capa. Por fim, os meus sinceros/profundos agradecimentos vão para toda a equipa da Africae, pelo seu generoso apoio à publicação desta versão portuguesa do meu livro, em particular a Bastien Miraucourt, pela sua minuciosa edição do manuscrito e pela sua constante dedicação durante todo o processo de edição e criação deste livro.
***
8Nada disto seria possível sem o apoio, o amor e a resistência do meu marido, Pierre, que devia ter reflectido melhor antes de me ter incentivado a candidatar-me a um programa de doutoramento há mais de uma década. Ao fim destes dez anos, estou-lhe muito grata, bem como aos nossos filhos, Valentine e Aurélien, pela generosidade, o amor e as gargalhadas que nunca me negaram enquanto eu lia e escrevia de sem descanso sobre literatura, História e poder na Angola pós-colonial.
9D.B., Oxford, Julho de 2022
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